Açoriano Oriental
Covid-19
Pais querem que alunos sem acesso às aulas não sejam prejudicados

Pais e encarregados de educação alertaram os professores que devem ter em conta que há alunos sem acesso a computadores e Internet que não podem ser prejudicados na avaliação.

article.title

Foto: Andy Rain
Autor: Lusa/AO Online

A Agência Lusa noticiou na quarta-feira que cerca de 5% das famílias com crianças até aos 15 anos não têm Internet em casa e que um em cada cinco estudantes não tem computador em casa, o que impede realizar alguns dos trabalhos pedidos pelos professores durante a suspensão de aulas presenciais determinada pela pandemia de Covid-19.  

A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) esteve reunida para analisar a situação das escolas durante este período em que se tenta conter a disseminação do novo coronavírus e alertou para as desigualdades entre estudantes.

As escolas estão encerradas desde segunda-feira e cerca de dois milhões de crianças e jovens estão em casa. A maioria está a ter aulas à distância.

No entanto, nem todos conseguem ter acesso às matérias de estudo. A CNIPE pede aos professores que “no caso de haver algum aluno que não tenha acesso a estas plataformas de comunicação, por qualquer impedimento, não deverá nunca ser prejudicado em termos de avaliação”.

Os pais e encarregados de educação pedem ainda aos professores que moderem a quantidade de matéria e informação partilhada, explicando que as famílias estão ainda a tentar adaptar-se às mudanças.

Um inquérito realizado esta semana pelo professor especialista em estatística Arlindo Ferreira mostra que 11,6% dos pais não tem disponibilidade para acompanhar os filhos pelo menos uma vez por dia nos estudos.

Do lado dos pais, trabalhar de casa “é muito mais difícil” porque é preciso conjugar a atenção dada ao trabalho e aos filhos, disse à Lusa o presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), Gonçalo Leite Velho.

O docente do ensino superior lembrou que, neste momento, há muitos professores em casa, com filhos pequenos, a tentar dar aulas a outras crianças.

Gonçalo Leite Velho alertou ainda para os casos de famílias que têm de partilhar os equipamentos. Neste momento estão todos em casa, alguns em teletrabalho, e pode tornar-se difícil gerir quem tem prioridade no seu uso: os filhos que estão em aulas ou os pais que estão a trabalhar?

Trabalhar em casa com a família pode ser complicado para todos: alunos e pais. “O ambiente é muito diferente de uma escola. Há mais confusão”, alertou Gonçalo Leite Velho.

As aulas à distância exigem um conhecimento e uma técnica por parte dos professores que é muito diferente das aulas presenciais: “Já quando os alunos estão na escola é, por vezes, difícil manterem-se concentrados, imaginemos em casa”, concluiu.


Regional Ver Mais
Cultura & Social Ver Mais
Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.