Padre António Vieira por Miguel Borges

Padre António Vieira por Miguel Borges

 

Lusa/AOonline   Regional   23 de Out de 2008, 11:25

Três séculos e meio depois, a Igreja dos Jesuítas, hoje melhor conhecida por Igreja do Colégio, volta a ouvir o “Sermão de Santa Teresa”, um dos mais destacados do vastíssimo legado do padre António Vieira.
 A partir das 22 horas, utilizando o mesmo púlpito e percorrendo o mesmo altar, estará o actor Miguel Borges, que não hesitou em aceitar o desafio que lhe foi colocado pela Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada no sentido de recriar o sermão proferido em 1654. Para isso e mesmo admitindo uma particular afeição pelos Açores, diz ter ficado completamente rendido à obra e à pessoa do padre António Vieira de quem, confessa, “nunca antes tinha lido nada”.
A apresentação a acontecer no Núcleo de Arte Sacra do Museu Carlos Machado, é uma adaptação do sermão original, como explica o actor:  “Originalmente o sermão  prolonga-se por umas três horas, tendo sido reduzido para 40 minutos, mas isso sem prejudicar a ideia central e nem sequer um certo jogo de palavras que o caracteriza”, dizendo-se  bastante satisfeito com o trabalho feito por Mercedes Borges, responsável pela adaptação.
Mesmo assim, Miguel Borges não dispensará o recurso ao texto escrito, tendo optado por uma leitura encenada mas que o próprio prefere chamar de “leitura entusiasmada”. Como explica o actor, “não se trata propriamente de uma encenação mas  mais de um entusiasmo. O texto é extremamente actual com questões intemporais, pelo que vai ser mesmo uma leitura entusiasmada. É  tão bem feito, tão bem construído e faz todo o sentido, que de repente sinto que pode ser meu, e apodero-me dele. Não vou vestir uma batina, não vou tentar ser ele, não vou fazer uma peça de teatro. Vou fazer uma leitura entusiasmada”. Ciente da responsabilidade de proferir num mesmo espaço para um mesmo povo palavras da autoria de um homem que diz “brilhante”, Miguel Borges mostra-se extremamente entusiasmado com o projecto, até pela imprevisibilidade que compreende. Quer da sua parte, quer do público.

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