Organização de defesa dos direitos humanos fechada pela polícia no Irão


 

Lusa / AO online   Internacional   21 de Dez de 2008, 21:29

A polícia iraniana fechou hoje as instalações do Círculo de Defensores dos Direitos do Homem, dirigido pela Prémio Nobel da Paz de 2003, Shirin Ebadi, marcando um endurecimento do poder em relação às organizações de direitos humanos.
    “O encerramento dos nossos escritórios sem ordem judicial é um acto ilegal e vamos protestar”, afirmou Shirin Ebadi, que se encontrava no local no momento da intervenção policial.

    A polícia não apresentou qualquer justificação para o encerramento das instalações, mas a agência semi-oficial Mehr adiantou que foram fechados “sobre decisão judicial” porque o grupo não tem autorização do Ministério do Interior para “efectuar as actividades”.

    Os partidos políticos e as associações precisam de uma autorização do Ministério do Interior para serem reconhecidos legalmente.

    “É evidente que este acto não é uma mensagem positiva para os activistas dos direitos do Homem, mas vamos continuar a fazer o nosso dever, sejam quais forem as circunstâncias”, declarou Shirin Ebadi.

    O Círculo dos Defensores dos Direitos do Homem foi fundado por um grupo de advogados, entre os quais a Prémio Nobel da Paz de 2003, Shirin Ebadi, e tem combatido a falta de respeito pelos direitos humanos, nomeadamente a multiplicação da pena de morte aplicada a menores de 18 anos.

    O novo código penal iraniano tem sido igualmente alvo das críticas da organização, que, consideram, ignora os direitos das Mulheres e baseia-se numa interpretação “incorrecta” do Islão.

    Depois de ter recebido o Nobel da Paz, Ebadi foi várias vezes ameaçada de morte, tendo o presidente Mahmoud Ahmadinejad ordenado um inquérito às ameaças e protecção policial à activista.

    Ebadi tornou-se em 1974 a primeira mulher juiz do Irão, mas a revolução islâmica de 1979 vedou a magistratura às mulheres.

    Ebadi prosseguiu, contudo, a sua actividade a favor dos direitos humanos nomeadamente das mulheres e das crianças.

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