Ordem dos Médicos diz que possíveis demissões em hospitais são fruto de “desgaste”

Ordem dos Médicos diz que possíveis demissões em hospitais são fruto de “desgaste”

 

Lusa/Ao online   Nacional   4 de Ago de 2018, 02:40

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, disse esta sexta feira que os cenários de possíveis demissões em vários hospitais do país são fruto do "profundo desgaste porque surgem muitas promessas, mas as condições não aparecem".

Em declarações à agência Lusa, Miguel Guimarães que comentava a situação denunciada esta semana no hospital de Vila Nova de Gaia sobre doentes internados em macas no Serviço de Urgência, referiu: "É uma situação que nos preocupa, mas é uma situação crónica. Não é por acaso que médicos de vários hospitais e de várias chefias estão a pensar demitir-se".

Hoje o Jornal de Notícias publica uma peça com o título "Médicos ameaçam bater a porta em mais três hospitais", citando casos nas unidades de Vila Real, Vila Nova de Gaia e Faro, uma situação que "não surpreende" a OM, cujo bastonário pede "mais respeito a quem tem o poder e pode mudar alguma cosia".

"É preciso dar condições a estes heróis que trabalham em condições degradantes. Vestem a camisola e substituem-se uns aos outros de forma a não existirem falhas, mas depois não sentem respeito, não sentem a compensação. Ouvem-se promessas, mas as coisas não aparecem e não funcionam. As pessoas estão desacreditadas e, para dar um grito de alerta para a sociedade civil, demitem-se", disse à Lusa Miguel Guimarães.

O bastonário pediu aos deputados que vão "muito mais longe" na sua intervenção no Parlamento e junto da tutela e saudou a proposta do PCP, promulgada quinta-feira pelo Presidente da República, que estabelece a obrigatoriedade de procedimento concursal para recrutamento dos médicos recém-especialistas que concluíram com aproveitamento a formação específica.

"É importante conseguirmos sinais positivos da tutela, porque os médicos não estão a pedir melhores remunerações, apenas pedem melhores condições", disse Miguel Guimarães.

A propósito das demissões nos hospitais, a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte) escreveu hoje, em comunicado, que não há conhecimento dessa intenção no que diz respeito ao Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

"O conselho diretivo desta ARS não tem conhecimento de igual ou semelhante intenção", lê-se na nota.

Quanto a situação idêntica em Vila Real, é apontado pela ARS-Norte: "De realçar, tal como já foi devidamente esclarecido pelo próprio Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, o referido Serviço de Ginecologia e Obstétrica, nos últimos anos, tem vindo a ser reforçado com profissionais médicos".

Já sobre o caso do internamento de doentes em macas no Serviço de Urgência do hospital de Gaia - situação que hoje voltou a ser confirmada à Lusa pela Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, segundo a qual são atualmente dez os doentes nestas condições - Miguel Guimarães apontou que pretende "inteirar-se do que se passa e eventualmente visitar em breve o hospital".

"Tenho conhecimento que no Serviço de Urgência do hospital estão a acontecer alguns problemas, nomeadamente no número de doentes que estão a acorrer à urgência, e a situação é recorrente, não é uma situação que acontece hoje, de existirem doentes internados em macas em condições que não oferecem dignidade nem aos doentes, nem aos médicos que lá trabalham", disse o bastonário da OM.

"Vou falar com o diretor clínico para perceber o que se passa e fazer ponto de situação na sequência das declarações da Ordem dos Enfermeiros e tentar visitar o mais rápido quanto for possível o hospital", acrescentou.

Esta manhã, em comunicado, o CHVNG/E garantiu que esta situação "estará resolvida no fim da próxima semana", admitindo uma "prática incorreta que se iniciou em 2015".



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