ONG divulgam lista de bancos que mais financiam energia mais poluente


 

Lusa/AO online   Internacional   15 de Nov de 2013, 15:15

Organizações não-governamentais publicaram uma lista dos bancos que mais investiram na indústria do carvão, para denunciar o crescente financiamento de projetos de exploração da fonte de energia que mais produz gases com efeito de estufa.

Entre 2005 e 2013, 89 bancos mundiais investiram 118 mil milhões de euros na indústria do carvão, segundo o relatório “Banking on Coal”, divulgado em Varsóvia à margem da Cimeira do Clima da ONU.

Mais de dois terços (71%) daqueles investimentos foram assegurados por apenas 20 bancos – norte-americanos, britânicos, alemães, franceses, suíços e chineses, entre outros -, segundo o relatório, elaborado pelas ONG Urgewald, Polish Green Network, Banktrack e Bankwatch.

A lista dos bancos que mais investiram em carvão é encabeçada pelo Citi (7,29 mil milhões de euros), seguido do Morgan Stanley (7,23), Bank of America (6,56), JP Morgan Chase, Deutsche Bank, Crédit Suisse, Banco Industrial e Comercial da China, Royal Bank of Scotland, Bank of China e BNP Paribas.

Os restantes dez bancos, também listados por ordem decrescente de investimento, são o UBS, Barclays, China Construction Bank, HSBC, China Development Bank, Mitsubishi UFJ, Standard Chartered, Crédit Agricole e Goldman Sachs.

“Perversamente, parece que quanto mais ouvimos, falamos e negociamos sobre alterações climáticas, mais extraímos e queimamos carvão. A produção global de carvão aumentou 69% entre 2000 e 2012 e atingiu agora o nível recorde de 7,9 mil milhões de toneladas métricas anuais”, lê-se na introdução do relatório.

“Os bancos têm um problema de dupla personalidade”, afirmou Yann Louvel, da ONG Banktrack, num comunicado.

“Por um lado, o Bank of America afirma ‘financiar uma economia com pouco carvão’, o Crédit Suisse que ‘se preocupa com o clima’ e o BNP Paribas que ‘combate o aquecimento global’ (…) Os bancos devem enfrentar o impacto real das suas decisões financeiras”, acrescentou.

O carvão representa quase 30% da energia consumida em todo o mundo e constitui a primeira fonte de eletricidade.

Representantes de mais de 190 países estão reunidos desde segunda-feira em Varsóvia para trabalhar num acordo vinculativo global de redução das emissões de gases com efeito de estufa a assinar em 2015 e vigorar a partir de 2020.


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