Onda de protestos chegou à 'passerelle' da ModaLisboa

Onda de protestos chegou à 'passerelle' da ModaLisboa

 

Lusa/AO online   Nacional   15 de Out de 2012, 09:43

A onda de manifestações registada em Portugal chegou à ModaLisboa, onde o designer português Nuno Gama aproveitou a "passerelle" para protestar acerca da situação vivida no país, homenageado na coleção que domingo apresentou no Pátio da Galé.

A apresentação de Nuno Gama terminou com os manequins a desfilarem com um autocolante colado na boca, no qual estava desenhado uma cara triste, e com t-shirts em que se podia ler a frase "eu quero ser feliz", o que arrancou muitos aplausos da plateia.

"Acho que nunca fui tão radical na minha vida como fui hoje", afirmou hoje Nuno Gama aos jornalistas no Pátio da Galé, no final do desfile, salientando que é "o mais pacífico que se possa imaginar".

Questionado sobre se esta seria a sua maneira de protestar, de se manifestar, Nuno Gama respondeu “sim” e repetiu a palavra, acrescentando: "Mas também tentar, através da minha voz chegar às pessoas de alguma forma, mas com uma coisa positiva. Sermos pró-ativos, lutarmos pela nossa felicidade".

O designer de moda chegou "ao ponto de usar o discurso de Dantas e de pôr os manequins de boca tapada, com aquelas t-shirts", por ter "perdido a paciência".

"Estamos todos na expectativa de que mais notícias é que vamos receber do ministro das Finanças e do primeiro-ministro. Eu já não tenho paciência, já não acredito em nenhum deles, lamento dizê-lo, mas todos nós devíamos dizer-lhes isto, porque eles ainda não perceberam que já deixámos de acreditar", disse.

Nuno Gama salientou que já ultrapassou os seus limites. "De cada vez que pago uma fatura, um quarto é para o Estado. Isto é uma violência para todos nós. É complicado e têm que ser encontradas outras soluções, a solução não pode ser esta", defendeu.

Para Nuno Gama, a solução passa por os portugueses acreditarem neles próprios e agirem de forma pró-ativa. "Temos de fazer um mega-esforço, vamos lá, mas por nós e não por tecnocratas que não sabem o que andam a fazer, e a prova está à vista: andam há anos a arrastar-nos nesta situação. Chega!", afirmou.

Por isso, esta coleção é também "uma homenagem a Lisboa" e "muito virada para o Turismo".

Os manequins envergaram t-shirts em que estavam estampadas frases como 'Lisboa não sejas francesa' ou 'Keep calm and come to Lisboa' (‘Mantém a calma e vem a Lisboa’) e imagens de Amália Rodrigues e de corvos, o símbolo da cidade.

"Gostava que as pessoas percebessem que temos um país maravilhoso e único. Temos imensa coisa fantástica, todas estas coisas que faz sentido embalar bem e de uma forma tradicional", disse.

Uma das maneiras de Nuno Gama reagir à crise, "que é uma realidade" e de que "ninguém pode fugir", foi marcar presença na ModaLisboa.

O designer de moda admitiu que esta foi uma coleção "feita em crise, na crise", mas "contra a crise".

"Eu, se baixasse os braços, não tinha vindo à Modalisboa. Tenho que reagir, de uma forma pró-ativa e isso é fazer uma coleção fantástica, de que os meus clientes gostem e que lhes dê também energia para enfrentarem a crise".

A 39.ª edição da ModaLisboa, onde são apresentadas as coleções para a primavera de 2013, termina domingo.


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