Autor: Rui Jorge Cabral
Foi lançado ao mar na cidade espanhola de Vigo o
novo navio de investigação oceanográfica ‘NI AZORES OCEAN’, num
investimento superior a 20 milhões de euros com fundos do Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR) e que pretende ser uma referência da
investigação científica marítima nacional.
O novo navio
oceanográfico dos Açores, que foi construído segundo os mais avançados
padrões de desempenho energético, irá ser agora equipado, devendo apenas
estar pronto para viajar para os Açores daqui a cerca de um ano, no
final de 2025, segundo revelou o Portal do Governo Regional dos Açores.
O ‘NI AZORES OCEAN’ irá desenvolver missões de apoio a todo o
espetro da Economia Azul, seja na arqueologia marítima, seja nas
energias renováveis, seja na implantação de cabos submarinos, seja na
aquicultura, no mergulho ou ainda noutras atividades.
Juntamente com
o futuro centro de investigação Tecnopolo – Martec, na cidade da Horta,
o novo navio oceanográfico dos Açores pretende, com mais e melhor
informação científica, potenciar oportunidades através da promoção do
uso sustentável dos oceanos.
O presidente do Governo Regional dos
Açores, José Manuel Bolieiro, esteve ontem presente no lançamento ao mar
do novo navio oceanográfico da Região, tendo salientado que este é um
investimento que afirma a “identidade” dos Açores, porque “somos mais
mar do que terra”, considerando “o domínio do nosso território marítimo”
o “ativo principal” dos Açores.
Isto porque, num território pequeno
em área e com pouca população no contexto internacional, para os Açores
e segundo José Manuel Bolieiro, é a capacidade de decisão política
sobre a dimensão marítima e espacial que a Região representa para o
contexto português e europeu, que “nos fará ter muito a dizer”.
A
cerimónia de lançamento ao mar do novo navio oceanográfico dos Açores
decorreu nos Astilleros Armon, na cidade de Vigo, numa cerimónia que
contou com a presença da secretária de Estado do Mar, a açoriana Lídia
Bulcão, em representação do Primeiro-Ministro e do subchefe do
Estado-Maior da Armada, o contra-almirante João Silva Pereira.
Na
ocasião, José Manuel Bolieiro aproveitou para destacar o relacionamento
da Região com o Governo da República e com a Armada, perspetivando a
continuação de uma parceria estratégica com estas entidades no objetivo
de estudar o Mar dos Açores e explorar o potencial do novo navio de
investigação oceanográfica em várias missões.
Num dia chuvoso no
norte de Espanha, José Manuel Bolieiro lembrou na sua intervenção que
este estaleiro naval espanhol tem já experiência de construir
embarcações para os Açores, ao mesmo tempo que salientou a importância
de ver hoje o Governo da República “cada vez mais comprometido” e
“reconhecedor da dimensão que os Açores e o Mar dos Açores representam
para o País”.
O presidente do Governo Regional dos Açores aproveitou igualmente o lançamento ao mar do novo navio oceanográfico da Região para destacar a “liderança” que os Açores querem assumir “no que à sustentabilidade diz respeito”, bem como “pela ciência e pela investigação”, sendo esta uma causa, exemplificada pelo trabalho que o novo navio de investigação irá agora realizar, “que ultrapassa os ciclos políticos”.
Regressando ao tema da aprovação recente da Rede
de Áreas Marinhas Protegidas numa dimensão de 30 por cento do Mar dos
Açores, José Manuel Bolieiro considerou que este nível de proteção deve
ser entendido mais como um “mínimo” do que um “máximo”, uma vez que “o
nosso grande objetivo é a fruição do mar e dos recursos marinhos, com a
plenitude da sua sustentabilidade para todas as gerações”.
Refira-se
que ao nível das suas características, o novo ‘NI AZORES OCEAN’ é um
navio com 45,95 metros de comprimento e 10,5 metros de boca, tendo uma
capacidade máxima de 30 pessoas, sendo 12 tripulantes e 18 cientistas.
A autonomia de operação deste novo navio oceanográfico vai até às 4 mil
milhas, para 15 dias de operação, tendo uma propulsão diesel/elétrica
de última geração.
Quando estiver totalmente equipado e em operação,
o novo navio oceanográfico dos Açores vai poder realizar mapeação e
batimetria de alta resolução, até 5 mil metros de profundidade, bem como
prospeção, monitorização e exploração biológica com qualidade superior.
Pretende-se com o novo ‘NI AZORES OCEAN’ promover ainda a formação
de ativos, marítimos e científicos, possuindo sala de aulas,
laboratórios (seco e húmido) e centro de dados em sistema integrado de
comunicações.
O novo navio oceanográfico dos Açores tem ainda
capacidade de receção, tratamento e transmissão de dados de forma
permanente e em banda larga, permitindo ainda a operação com veículos
submarinos autónomos ou operados remotamente.
Na cerimónia de
lançamento ao mar do novo navio oceanográfico dos Açores, o presidente
do Governo Regional destacou ainda o papel da Universidade dos Açores na
investigação marinha e no desenvolvimento de um ‘cluster’ do mar na
Região.
“Este navio acrescentará, por isso, valor a este ‘cluster’
do mar que estamos a construir”, afirmou José Manuel Bolieiro,
destacando o trabalho do Instituto Okeanos como parceiro da Região, a
que se juntaram agora outros parceiros externos, no âmbito do Programa
Blue Azores.
O ‘cluster’ do mar é, para o presidente do Governo Regional, um projeto “transformador” dos Açores, de um tempo em que o arquipélago era entendido como uma região de “necessidades e de apoio ao seu desenvolvimento” - que continua a ser necessário - para uma região “de oportunidades ao desenvolvimento do País e da União Europeia”.