Nobel distingue trabalho da Organização para a Proibição de Armas Químicas

Nobel distingue trabalho da Organização para a Proibição de Armas Químicas

 

Lusa/AO online   Internacional   11 de Out de 2013, 10:55

O prémio Nobel da Paz foi atribuído à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW, sigla em inglês), pelo "amplo trabalho e esforços desenvolvidos na eliminação das armas químicas", anunciou o Comité Nobel norueguês.

"Através da atribuição deste prémio, o Comité pretende contribuir para a eliminação das armas químicas" no mundo, indica o comunicado oficial.

"Os recentes acontecimentos na Síria, onde voltaram a ser usadas armas químicas, tornaram evidente a necessidade de aumentar os esforços para eliminar estas armas", afirmou Thorbjorn Jagland, secretário do Comité Nobel.

O Comité refere ainda que o desarmamento é uma das principais preocupações do testamento do criador do prémio, o químico e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896), preocupação que se refletiu na escolha de numerosos laureados.

Durante a Primeira Guerra Mundial, as armas químicas foram largamente usadas. A Convenção de Genebra de 1925 proibiu o uso, mas não a produção ou armazenamento deste tipo de armamento.

Na Segunda Guerra Mundial, as armas químicas foram a escolha de Adolf Hitler para os campos de extermínio.

Ao longo da História, estas armas têm sido usadas, em diferentes ocasiões, por Estados e terroristas. Em 1992-93, foi definida uma convenção de proibição ao nível da produção e do armazenamento, que entrou em vigor em 1997.

A OPCW tem, através de inspeções, destruição e outros meios, procurado implementar a Convenção, até aqui assinada por 189 Estados.

De acordo com o comunicado do Comité Nobel norueguês, a Convenção e o trabalho da OPCW permitiram às leis internacionais proibir a utilização das armas químicas.

A guerra civil da Síria, onde os peritos da OPCW pensam existirem cerca de mil toneladas de gás sarin e mostarda e outras armas químicas, veio sublinhar a necessidade de reforçar o trabalho de erradicação destas armas.

O conflito na Síria começou há dois anos e meio depois de uma revolta pacífica reprimida de forma violenta que se transformou numa guerra civil para derrubar o regime de Bashar al-Assad, tendo já causado mais de 115 mil mortos e seis milhões de refugiados, de acordo com dados da ONU.

Alguns países ainda não assinaram a Convenção, outros não respeitaram o prazo, a abril de 2012, para destruir armas químicas, o que se aplica especialmente aos Estados Unidos e Rússia.

A Organização para a Proibição de Armas Químicas foi criada em 1971 pelos países que já participavam na Convenção de Armas Químicas.

A OPCW coordena várias atividades em todo o mundo com o objetivo de promover a adesão à Convenção de países não-signatários, pesquisar e confirmar a destruição de armas químicas, monitorizar atividades da indústria para reduzir o risco de utilização inapropriada de produtos químicos, dar assistência e proteção aos países-membros em caso de ameaça de ataque com armas nucleares, e promover a cooperação internacional de uso pacífico de produtos químicos.

Com sede em Haia, a OPCW é uma organização internacional independente, e trabalha em cooperação com as Nações Unidas.

Angola, Coreia do Norte, Egito, Somália e Síria não assinaram a Convenção de Proibição de Armas Químicas.

O Nobel da Paz é o único atribuído fora de Estocolmo, de acordo com a decisão de Alfred Nobel, já que na época a Noruega integrava o Reino da Suécia.

A entrega dos Nobel realiza-se, de acordo com a tradição, em duas cerimónias paralelas, a 10 de dezembro, em Oslo para o prémio da Paz e em Estocolmo para os restantes, data de aniversário da morte do químico e industrial sueco.



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