Tour

Nelson Oliveira não pensa em recordes, só em "comandar as tropas" na Movistar

Nelson Oliveira parte no sábado para a sua 24.ª grande Volta com a missão de “comandar as tropas” da Movistar no Tour, com o ciclista português a garantir que estabelecer um novo recorde não lhe tira o sono



Falar do corredor de Vilarinho do Bairro (Anadia) é falar de constância, mas também de dedicação à Movistar, que elegeu pelo quinto ano consecutivo o português para o seu ‘oito’ na Volta a França, permitindo-lhe ampliar o seu recorde nacional, mas aspirar igualmente a uma marca para a história do pelotão mundial.

Depois de ter igualado, no Giro2026, o recorde do polaco Sylwester Szmyd, de 23 grandes Voltas sem desistências, ‘Nelsinho’ pode isolar-se caso complete esta ‘Grande Boucle’, que arranca no sábado, em Barcelona (Espanha), e termina a 26 de julho, em Paris.

“Não é coisa que me faça deixar de dormir. Quando fiz a minha primeira grande Volta [em 2011], nunca pensei ter 23 grandes Voltas terminadas. […] Espero chegar ao final da corrida e que não tenha nenhum azar no caminho que me faça abandonar. Não quero pensar nisso agora, quero desfrutar deste Tour o melhor possível”, afirmou.

Aos 37 anos, ‘Nelsinho’ vai alinhar na sua 10.ª Volta a França, igualando o número de presenças na Vuelta, pouco mais de um mês após de ter participado no Giro pela quarta vez.

À agência Lusa, garante que a presença no Tour não foi uma surpresa, uma vez que pediu à Movistar para encadear as duas primeiras ‘grandes’ do calendário, uma pretensão reforçada porque a equipa “sofreu algumas baixas ultimamente”.

“O meu objetivo, como costumo sempre dizer, é chegar a Paris são e salvo, mas se puder disputar uma etapa com os melhores, seria bom. Certamente, terei de entrar numa fuga e que essa fuga seja decisiva”, antecipou o recordista português de presenças em grandes Voltas.

Salientando que “hoje em dia entrar numa fuga” não é fácil, o experiente ciclista de 37 anos, que ganhou uma tirada na Vuelta2015, assumiu que uma vitória numa das 21 etapas da 113.ª edição seria “sempre bem-vinda”.

“Acho que terei essa oportunidade [de lutar por uma etapa], ou seja, aqui o meu objetivo está claro, é o que a equipa me pede: é tentar orientar um bocadinho ou usar a minha experiência para ‘comandar as tropas’, como se costuma dizer, numa equipa bastante jovem”, antecipou.

Pela primeira vez, Oliveira terá Cian Uijtdebroeks como líder numa grande Volta, com o corredor luso a realçar que este é o primeiro Tour do belga de 23 anos.

“Não sabemos ao certo como reagirá a todo este stress. O objetivo é ele ficar nos 10 [primeiros], acho que o pódio seria sonhar um bocadinho alto, mas não é impossível. Ele é um sofredor, é um corredor bastante jovem, e estaremos aqui para ajudá-lo naquilo que for preciso”, pontuou.

Aos restantes, caberá o papel de tentar ser “protagonistas em algumas etapas”, num pelotão em que “todos os ciclistas treinaram imenso” e “estão em forma”.

Residente em Andorra, o duas vezes diplomado olímpico acredita que o facto de a ‘Grande Boucle’ arrancar em Barcelona, naquele que é o terceiro ‘Grand Départ’ de Espanha e o 27.º do estrangeiro, é “mais especial para a equipa” do que para si.

“Isso dá-nos mais pressão para começar bem este Tour e, certamente, teremos aqui muitos portugueses a apoiar-nos, porque não estamos muito longe do nosso país”, previu.

Desde 2020 que Portugal não tinha apenas um representante na Volta a França – há seis anos também foi Oliveira o único ciclista nacional presente -, com aquele que é um dos melhores e mais respeitados gregários do pelotão internacional a lamentar a falta de companhia.

“É sempre uma responsabilidade representar o nosso país, seja com mais ou menos [portugueses]. Infelizmente, este ano serei o único. Gostaria que estivessem aqui outros. Têm qualidade para isso, simplesmente escolheram outro calendário, junto com as suas equipas. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para levar as cores nacionais bem”, prometeu.


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