Narcotráfico e novo pacote financeiro centram visita do 'número dois' de Hillary Clinton a Cabo Verde


 

Lusa / AO online   Internacional   24 de Abr de 2010, 13:09

O combate ao tráfico de droga, numa perspetiva sub-regional e internacional, e as negociações finais para a atribuição de um novo pacote financeiro para apoiar Cabo Verde centram a visita do 'número dois' da diplomacia norte-americana ao arquipélago.

Oito meses após a visita da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, é agora a vez de David Burns, subsecretário de Estado para os Assuntos Políticos da administração dos Estados Unidos, se deslocar ao arquipélago, onde deverá chegar hoje às 23:00 locais (01:00 de domingo em Lisboa).

A agenda de David Burns será cumprida domingo na ilha do Sal, e, face à presença do presidente cabo-verdiano em Santa Maria, onde se reuniu sexta feira e hoje com a Governadora Geral do Canadá, será recebido por Pedro Pires em separado da prevista sessão de trabalho com José Brito, chefe da diplomacia de Cabo Verde.

Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros cabo-verdiano disse à Agência Lusa que a questão do combate ao tráfico de droga não é um exclusivo de Cabo Verde, lembrando tratar-se de um assunto de cariz regional, sendo encarado nessa perspetiva.

A fonte lembrou também que Cabo Verde e Estados Unidos têm intensificado nos últimos anos a cooperação nos domínios da defesa e segurança e que os programas de trabalho a esse nível inserem-se, por sua vez, num âmbito mais vasto, que envolve também os Estados da África Ocidental e da União Europeia (UE).

A situação na Guiné-Bissau, acrescentou a fonte, é outra das preocupações comuns a Cabo Verde e aos Estados Unidos, pois trata-se de um país que, disse, “já habituou a comunidade internacional a crises recorrentes”, que envolvem não só os militares como também o narcotráfico, componente que a eles lhes liga.

Recentemente, os Estados Unidos acusaram várias altas patentes das Forças Armadas guineenses de envolvimento no tráfico de droga, razão que, além de outras, tem justificado as sucessivas crises políticas e militares no país.

É uma questão “transversal” a todos os que combatem o tráfico de droga na região oeste-africana, pois afeta os 15 membros da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), os próprios “27”, a ONU e também os Estados Unidos.

Por isso, é necessário encontrar um consenso para a tão falada “reforma estruturante” nas áreas da Defesa e Segurança da Guiné-Bissau, que abranja os militares e a polícia, bem como todos os agentes da Justiça e mesmo os políticos.

Quanto ao pacote financeiro, Cabo Verde foi eleito para um inédito segundo compacto do Millennium Challenge Corporation (MCC, entidade pública norte-americana de apoio ao desenvolvimento), com Burns e Brito a discutir as modalidades de ajuda, a concretizar através do Millennium Challenge Account (MCC-Cabo Verde).

O segundo pacote financeiro do MCC – o primeiro, no valor de 119 milhões de dólares (87,4 milhões de euros) foi concretizado entre 2005 e 2010 – deverá ser assinado antes do início do ano fiscal norte-americano, em outubro, afirmou este mês o diretor executivo do MCC, Daniel Yohannes, que também visitou Cabo Verde este ano.

Burns cumpre em Cabo Verde a última etapa de uma digressão iniciada segunda feira no Senegal, a que se seguiu Libéria, Angola, África do Sul, Namíbia, Nigéria e Cabo Verde, visando ampliar as relações com principais parceiros africanos em áreas como a democracia, paz, segurança, desenvolvimento económico, educação e saúde.


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