“Antes do fim do verão, será aprovada a lei de habilitação, serão adotados os decretos de aplicação e será completado o quadro jurídico necessário para o reinício da produção nuclear em Itália”, anunciou Meloni, durante um debate no parlamento italiano, em Roma.
Desde a sua tomada de posse, em 2023, que o Governo de Meloni tem defendido o regresso da energia nuclear como parte da sua estratégia para o reforço da segurança energética, redução de custos e implementação da política de descarbonização, argumentando também com a necessidade de reduzir a sua dependência energética externa, especialmente após a invasão russa da Ucrânia e as sanções impostas a Moscovo, que obrigaram Roma a diversificar o abastecimento de gás através de acordos com países como a Argélia e o Azerbaijão, assim como com os Estados do Golfo.
Itália não produz energia nuclear desde 1987, na sequência de um referendo realizado após o desastre na central nuclear Chernobyl (norte da Ucrânia) em abril de 1986, que levou à proibição deste tipo de energia e ao encerramento das centrais existentes.
Uma tentativa de reintrodução do nuclear foi rejeitada em consulta popular em 2011, e atualmente o país não dispõe da legislação necessária, incluindo a nível de normas de segurança, sobre o seu funcionamento.
A nova legislação deverá regulamentar todo o ciclo de vida das instalações, desde a sua conceção até ao desmantelamento e à gestão de resíduos, tendo o Governo indicado que pretende recorrer a reatores de pequena dimensão de última geração, utilizados pelo setor privado, para regressar à energia nuclear.
