Atenções centradas em Starmer durante discurso do Rei no parlamento britânico

Carlos III apresento no parlamento britânico o programa legislativo do Governo para o próximo ano, com toda a pompa e os rituais habituais, mas as atenções durante o tradicional “Discurso do Rei” estavam no primeiro-ministro, Keir Starmer



Num discurso na Câmara dos Lordes (câmara alta do parlamento), escrito pelo Governo, o monarca enumerou 37 propostas de lei sobre temas como a imigração, saúde, educação, justiça, segurança e a nacionalização da siderúrgica British Steel.

"Um mundo cada vez mais perigoso e instável ameaça o Reino Unido, sendo o conflito no Médio Oriente apenas o exemplo mais recente. Todos os aspetos da segurança energética, de defesa e económica da nação serão postos à prova", disse.

O Rei acrescentou que o Governo responderá "com firmeza e terá como objetivo criar um país que seja justo para todos", de forma a proteger "a segurança energética, de defesa e económica do Reino Unido a longo prazo".

Apesar de esta ser apenas a segunda cerimónia de abertura do parlamento britânico em menos de dois anos de Governo, existem dúvidas sobre se o primeiro-ministro trabalhista, Keir Starmer, vai sobreviver à atual crise política para implementar a legislação proposta.

Pouco antes, durante a manhã, Starmer recebeu o ministro da Saúde, Wes Streeting, que, segundo a comunicação social britânica, se prepara para renunciar ao cargo e lançar uma candidatura à liderança do partido.

Este desenvolvimento acontece após quatro secretários de Estado demitirem-se e cerca de 80 deputados trabalhistas pedirem publicamente a saída de Starmer, imediatamente ou numa data predefinida para permitir a escolha de um sucessor. 

Os maus resultados nas eleições locais e regionais de 07 de maio desencadearam os ataques dos críticos de Starmer, mas a insatisfação já existia devido à nomeação do ex-ministro e ex-comissário europeu Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos e com outras medidas políticas.  

Muitos deputados trabalhistas consideram que o Governo tem sido muito tímido no combate ao aumento do custo de vida, da desigualdade e da deterioração dos serviços públicos.

"O povo britânico espera que o Governo continue com o trabalho de mudar o nosso país para melhor. Reduzir o custo de vida, diminuir as listas de espera nos hospitais e manter o nosso país seguro num mundo cada vez mais perigoso", argumentou hoje Starmer, citado num comunicado.

Starmer salientou que "o Reino Unido encontra-se num momento decisivo" e que arrisca "regressar ao caos e à instabilidade do passado".

O chamado “Discurso do Rei” é um elemento essencial da abertura oficial do parlamento, um evento tradicional do calendário político.

O aparato solene do evento cuidadosamente coreografado reflete a evolução de uma monarquia absoluta para uma democracia parlamentar, onde o poder real está nas mãos da Câmara dos Comuns (câmara baixa do parlamento) eleita.

Os rituais da cerimónia remontam a 1852, com elementos do programa que remontam ao século XVI.

Como é tradição, o monarca viajou do Palácio de Buckingham até o parlamento, uma distância de menos de um quilómetro e meio, numa carruagem puxada por cavalos. 

Ao chegar ao parlamento, colocou a Coroa Imperial e o manto de estado antes de liderar um cortejo até à Câmara dos Lordes, cujos membros são nomeados e não eleitos.

Um funcionário da Câmara dos Lordes chamado 'Black Rod', nomeado em referência à vara de ébano que carrega, dirigiu-se então à Câmara dos Comuns para convocar os membros da câmara a uma sessão conjunta do parlamento. 

As portas da Câmara dos Comuns são fechadas na cara do 'Black Rod' para simbolizar a independência da câmara relativamente à monarquia, e não são abertas até que o 'Black Rod' bata nas portas três vezes.

Assim que os membros da Câmara dos Comuns se juntam na Câmara dos Lordes, o Rei profere um discurso redigido pelo Governo.

Após a leitura do discurso e a saída do Rei, as duas Câmaras do parlamento iniciam hoje à tarde seis dias de debate sobre o conteúdo.

O Partido Nacional Escocês (SNP) já anunciou que vai apresentar uma moção de censura contra Keir Starmer.

Porém, apesar da dimensão do descontentamento na própria bancada, o Partido Trabalhista deverá votar contra e derrotar a proposta.


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