“Acho que sim, que poderá haver uma representação física permanente nos Açores. Não somos contra isso, não temos nada contra, desde o momento que não onere o Orçamento Regional, que nós entendemos que deve ser direcionado para questões estruturais e mais importantes do que esta questão específica”, afirmou o presidente da CCIA, Francisco José Rosa, durante uma audição na Comissão de Política Geral da Assembleia Regional, reunida em Ponta Delgada.
O empresário foi ouvido pelos deputados na sequência de um projeto de resolução apresentado pela bancada do Chega, que recomenda ao Governo Regional de coligação (PSD/CDS-PP/ PPM) que promova diligências com vista ao reforço da presença institucional da Fundação Luso-Americana nos Açores (FLAD) no arquipélago.
Francisco José Rosa lembrou, no entanto, que o acordo bilateral entre os Estados Unidos da América (EUA) e Portugal, criado a propósito da utilização da Base Aérea das Lajes, na ilha Terceira, pelos norte-americanos, tem tido “pouco impacto na economia” dos Açores.
“A primeira relação é com a Universidade e não com a Câmara do Comércio, com os empresários ou com a economia, se bem que todas as intenções são no sentido de que essas relações sejam cada vez mais frequentes e eficazes ou que, pelo menos, tenham mais algum impacto na economia ou no dia-a-dia dos açorianos”, acrescentou.
Já a reitora da Universidade dos Açores, Susana Mira Leal, também ouvida na Comissão de Política Geral, considerou que, mais importante que criar uma estrutura física em representação da FLAD no arquipélago, é reforçar as parcerias com a fundação.
“Parece-me que o que importa é aprofundar a relação com a FLAD, aprofundar as oportunidades de parceria e de investimento da FLAD, designadamente pensando em prioridades estratégicas para a região, alinhadas com os seus objetivos de desenvolvimento estratégico e com iniciativas concretas”, sugeriu Susana Mira Leal.
Desta forma, continuou, deviam ser lançados concursos próprios para os Açores, com linhas de financiamento próprias, que permitissem ajudar a reforçar o papel da FLAD, retirando daí “resultados concretos, objetivos e mensuráveis”.
Os deputados ao parlamento açoriano pretendiam também ouvir um representante da FLAD, mas a Fundação enviou uma carta ao parlamento considerando “extemporâneo” pronunciar-se nesta altura, ainda antes do executivo açoriano.
“Por razões de protocolo e de adequado respeito institucional, a FLAD considera ser preferível aguardar que aquelas entidades se pronunciem previamente sobre a matéria em análise e sobre a eventual necessidade, âmbito e natureza dos esclarecimentos que entendam vir a solicitar à Fundação”, justificou Sérgio Almeida Correia, diretor da FLAD.
Pelo Chega, a deputada Olivéria Santos considerou a recusa da fundação em ser ouvida “um desrespeito” para com a Comissão de Política Geral e para com o parlamento dos Açores.
O Chega defende a criação de uma delegação ou estrutura permanente da FLAD nos Açores, dotada de meios humanos, técnicos e administrativos adequados, que possam desenvolver programas, iniciativas e parcerias com as entidades locais, designadamente nas áreas científica, educativa, cultural e tecnológica.
A FLAD, que tem sede em Lisboa, foi criada a 20 de maio de 1985, na sequência de um acordo diplomático entre Portugal e os Estados Unidos da América, com o objetivo de aprofundar a cooperação bilateral e promover o progresso social económico de Portugal.
