Depois da construção do Hospital Modular, a MBW está responsável pelos centros de saúde da Maia e Livramento/São Roque. Como estão a decorrer as obras?
Está a correr bem. Aqui o espírito é um pouco diferente [do Hospital Modular]: é um contexto de conceção/construção, onde estamos a trabalhar em duas geografias diferentes em São Miguel. Há alguns desafios acrescidos ao nível das infraestruturas, mas a complexidade técnica dos processos, também neste caso, é menor.
No caso específico do hospital modular, existiam outras especialidades mais críticas a nível de instalações especiais, nomeadamente em blocos operatórios, cuidados intensivos e intermédios, imagiologia, entre outros.
Estamos a falar de dois centros de saúde: a componente logística e de timings tem uma vertente que faz todo o sentido para este tipo de sistemas construtivos. O desafio em sete meses de materialização dos centros de saúde é sempre interessante, até com alguns condicionamentos logísticos da região autónoma, incluindo a mão-de-obra. Estamos tentando envolver também parcerias locais, nem sempre é possível, mas está tudo dentro dos timings que estavam previstos.
Os dois centros de saúde vão ficar prontos em agosto para serem entregues à comunidade e poderem usufruir e ter melhores cuidados de saúde na ilha. Esse é o nosso propósito, continuar a ajudar, A MBW pretende continuar na região autónoma: já fez um investimento num centro logístico e está a fazer um investimento também numa unidade de produção em São Miguel.
Por isso a MBW veio para ficar: entendemos que existe espaço e oportunidades face ao tipo de construção industrializada que desenvolvemos, onde a vertente de timings e logística tem um fator muito importante e relevante.
Quantas pessoas tem a MBW a trabalhar nos Açores?
Nós já temos 14 residentes em São Miguel e também temos alguns colaboradores que estão cá e que já querem ficar. E para nós também é um bom indicador de que nós viemos para ficar e que faz todo o sentido continuar a investir na região autónoma.
Este tipo de construção industrializada está a fazer o seu caminho em Portugal?
Sem dúvida, não só na região autónoma como em outras geografias. Tendencialmente, em Portugal está a fazer-se esse caminho, nomeadamente o governo, a nível regulatório. A construção modular industrializada por si só tem o seu espaço e vai ficar: a construção civil como nós conhecemos há 30 anos tem que se adaptar a este tipo de sistemas, com o timing e o impacto que têm.
Pegando neste caso concreto: estamos aqui na freguesia do Livramento, junto a moradias e há sempre constrangimentos associados a isso. Todo o tipo de otimizações que consigamos fazer em construção, seja feita em centros logísticos e centros de produção. Porque para a materialização [da obra] ser num curto espaço de tempo, existe uma construção invisível que está a acontecer nos centros de produção.
Mas é uma construção efetivamente de impacto, com todas as exigências térmicas, acústicas, de resistência ao fogo e sísmicas, no contexto até particular aqui da região autónoma.
No norte da Europa, nos Estados Unidos, o processo já está completamente normalizado. Em Portugal estamos a dar os primeiros passos e dentro de uns anos, já não será uma questão, porque é um processo que estará regulado com processos construtivos de construção tradicional, como hoje os conhecemos.
A intervenção da MBW nos Açores tem sido apenas na área da Saúde, mas pode abranger outros setores?
Já temos aqui outros processos a nível privado que estamos a desenvolver. Efetivamente, na área da saúde temos um envolvimento muito grande, não só na região autónoma como no continente. É uma área entusiasmante, com desafios técnicos acrescidos face à sua complexidade. É a nossa zona de conforto, mas também trabalhamos comércio, serviços, educação, indústria, escritórios, negócios B2B.
Nós fazemos edifícios multifuncionais que podem ser adaptados. Obviamente quando o fator tempo tem mais peso, torna-se muito mais vantajoso para as entidades governamentais utilizar este tipo de sistemas para conseguir, em curto espaço de tempo, criar impacto e melhorar as infraestruturas e a vida dos cidadãos porque no final do dia é isso que interessa.
