O projeto Materramenta, nos Biscoitos, na ilha Terceira, foi distinguido com o Prémio Singularidade pela revista Grandes Escolhas, num reconhecimento do seu percurso de recuperação da tradição vitivinícola açoriana e de inovação.
“É muito gratificante a vários níveis, mas muito particularmente para as pessoas que trabalham connosco, porque este tipo de estímulos são catalisadores de maior motivação, principalmente para os dias mais difíceis - os dias em que temos problemas com o clima ou em que a vindima é muito fraca. Além disso, põe claramente os Açores no mapa, e nomeadamente os Biscoitos, quando estamos a falar num evento que para muita gente é conhecido como os ‘óscares’ do vinho em Portugal”, afirmou ao Açoriano Oriental o proprietário Luís Vasco Cunha.
O projeto Materramenta, cujo nome é uma homenagem a Pero Anes do Canto, o primeiro proprietário de grande parte das terras da Terceira, incluindo a zona dos Biscoitos, foca-se no cultivo de vinhas das castas Verdelho e Arinto dos Açores, partindo da recuperação de vinhas que estavam abandonadas ou semiabandondas.
“O nosso projeto, que nasceu em 2016, assenta muito numa perspetiva do amor à terra. Aliás, as nossas rolhas dizem que é com amor - tem num lado em português, no outro em inglês. É a única forma de conseguirmos manter o projeto, que é realmente heroico, porque é tudo mão de obra, tudo feito manualmente, sem máquinas, segundo processos antigos”, refere.
Luís Vasco Cunha acrescenta que a produção de vinho e o enoturismo são indissociáveis no projeto: sem a produção não há a componente “eno”, e sem o turismo a sustentabilidade financeira seria muito difícil. Atualmente, a empresa emprega quatro pessoas a tempo inteiro para conjugar estas vertentes.
Em relação à produção, explicou que, embora sediado na Terceira, o projeto entretanto estendeu-se à Graciosa e ao Pico. E sobre a Graciosa, Luís Vasco Cunha explicou que foi estabelecido um acordo com a cooperativa local para explorar as uvas.
“Eu nasci na Graciosa e um dos meus avós já tinha vinhas. Desde o ano passado, começámos também a produzir vinho na Graciosa. Fizemos um acordo com a cooperativa da Graciosa para sermos nós a explorar as uvas produzidas lá, de forma a fazer face às dificuldades financeiras que a cooperativa atravessava. Conseguimos ainda introduzir uma novidade que não era prática habitual: as uvas do ano passado foram pagas no próprio ano”, contou.
Materramenta prepara primeiro vinho do mundo estagiado num vulcão
A inovação é também uma ambição, e por isso a Materramenta está a preparar o lançamento do primeiro vinho do mundo estagiado num vulcão.
“Neste momento temos 240 garrafas a estagiar no Algar do Carvão. O facto de estarem dentro de água, com uma humidade muito acima da média, a total ausência de luz e uma temperatura constante ao longo do ano, são condições únicas.”, descreveu.
A concluir revelou que o projeto segue um caminho de valorização comercial tendo já vinhos presentes em vários restaurantes com estrela Michelin em Portugal e no estrangeiro.
“Queremos dar uma nova perspetiva comercial ao vinho dos Biscoitos e seguir um caminho que valorizasse o produto, porque temos um terroir único. Temos vinhos em vários restaurantes com estrela Michelin no país e fora do país”, acrescentou.
