Migrações

Mais de 500 pessoas chegaram às Canárias desde sábado

Uma nova embarcação com 19 pessoas de origem subsaariana entrou na ilha espanhola de El Hierro, elevando para 510 o número total de migrantes que chegaram às Canárias desde sábado, avançaram as autoridades marítimas



Um pequeno barco semelhante aos que costumam fazer esta rota migratória, conhecidos como ‘cayunos’ foi resgatado pela agência espanhola de segurança marítima a sul de El Hierro, tendo os 19 migrantes a bordo sido escoltados até ao porto de La Restinga.

Os migrantes deverão receber na ilha uma primeira assistência médica antes de seguirem para identificação.

Com este novo barco e 19 pessoas totaliza-se a entrada nas Canárias de 510 pessoas nas últimas horas em oito embarcações, três das quais foram resgatadas em El Hierro e quatro em Lanzarote.

Numa dessas embarcações, que transportava 130 migrantes, morreram sete pessoas, como avançaram as autoridades depois de terem resgatado os sobreviventes esta manhã, a cerca de 150 quilómetros a nordeste de Arrecife (Lanzarote).

Dos sete mortos, apenas dois corpos foram recuperados do barco, já que, segundo os sobreviventes, os outros cinco foram lançados ao mar, no Atlântico, em circunstâncias ainda não esclarecidas.

Além deste bote insuflável, um outro ‘cayuco’, com 107 migrantes, chegou a El Hierro depois de resgatado a cerca de nove quilómetros da ilha no sábado à noite.

Na madrugada de hoje foi conduzido a Lanzarote mais um barco com 59 homens norte-africanos, encontrado pelas autoridades a oito quilómetros da costa norte da ilha.

O navio da autoridade marítima espanhola resgatou ainda outros dois botes insufláveis, um com 35 homens e outro com 36, todos norte-africanos, na costa de Lanzarote, e outros dois foram levados para El Hierro, num total de mais de 100 pessoas.

A rota do Atlântico, que parte de Marrocos e Saara Ocidental, no caminho mais curto, e da Mauritânia, Senegal, Gâmbia e Mali, nas travessias mais longas, é considerada uma das mais perigosas do mundo, com as travessias a poderem demorar vários dias ou mesmo semanas em mar aberto.

O Atlântico é conhecido pelas suas correntes violentas e há registos de embarcações encontradas meses depois do outro lado do mundo (como no Brasil ou nas Caraíbas) com todos os ocupantes mortos.

Nos últimos dois anos registou-se uma diminuição do número de travessias em direção às Canárias, em comparação com os recordes históricos de 2023 e 2024, mas a letalidade da rota aumentou, devido à abertura de trajetos mais longos e perigosos (como os que partem da Guiné-Conacri ou da Gâmbia).

As estimativas apontam que, em 2025, chegaram às ilhas espanholas 17.788 migrantes irregulares, a bordo de 263 embarcações, sendo que, este ano, o número apresentado pela ONU é de 416 mortos ou desaparecidos no mar.

No entanto, a organização não-governamental (ONG) Caminando Fronteras documenta 1.906 mortes nesta rota atlântica só em 2026.

O fluxo de embarcações na rota costuma intensificar-se no outono, sendo que, desde outubro, já foram contabilizadas mais de 5.000 chegadas.

O Projeto Migrantes Desaparecidos da Organização Internacional para as Migrações (OIM) regista pelo menos 4.857 mortes e desaparecimentos oficiais entre 2014 e meados de 2024, mas a própria agência reconhece que o número real deverá ser substancialmente maior.


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