Mais de 32 mil casos de HIV/sida notificados em Portugal


 

Lusa/Ao online   Nacional   30 de Nov de 2007, 08:19

Mais de 32 mil casos de HIV/sida estavam notificados em Portugal até finais de Setembro deste ano, quase metade deles em pessoas que não apresentavam sintomas, segundo novos dados apresentados por especialistas.
Só nos primeiros nove meses deste ano foram notificados 1.766 novos casos de HIV/sida, o que equivale a 6,5 casos registados por dia, revelam os mesmos dados, divulgados nas vésperas do Dia Mundial da Luta Contra a Sida, que se assinala sábado.

    Segundo o mais recente relatótio anual do Programa das Nações Unidas sobre a doença, o número de casos notificados torna Portugal o quarto dos países da Europa Ocidental que mais casos novos de infecções por VIH diagnosticou em 2006.

    Entre as 32.205 pessoas com HIV registadas em Portugal, 43,8 por cento já apresentavam sida, o que representa um total acumulado de 14.110 até ao final de Setembro.

    Ser seropositivo ao HIV (vírus da imunodeficiência humana) não significa necessariamente ter sida, uma vez que a doença só é definida quando existe a presença do vírus em conjugação com uma doença infecciosa (como a tuberculose ou pneumonia) ou com um tumor.

    Em relação aos cerca de 18 mil casos notificados de HIV em pessoas que não tinham evoluído ainda para a sida, a esmagadora maioria dos infectados não apresentava qualquer sintoma, segundo Elizabeth Pádua, do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge.

    A especialista sublinhou que se tem acentuado a tendência para um aumento de casos de sida no grupo dos heterossexuais, o que tem sido particularmente evidente nas mulheres.

    Já o número de casos em toxicodependentes tem vindo a decrescer, embora lentamente.

    "O número de casos nos heterossexuais está a subir, tendo ultrapassado o grupo dos toxicodependentes em 2002 e atingindo já 70 por cento dos casos notificados", resumiu a especialista do Laboratório de Referência da Sida.

    Por outro lado, a transmissão do vírus de mãe para filho é actualmente inferior a dois por cento em Portugal, quando há uma década era de 25 por cento.

    "Isto é um grande sucesso na prevenção nesta área. Estamos ao nível dos países mais desenvolvidos", sublinhou Elizabeth Pádua.

    Para este decréscimo na taxa de transmissão contribuiu o facto de todas as grávidas acompanhadas no Serviço Nacional de Saúde fazerem o teste ao VIH e, naquelas em que é detectado o vírus, ser realizada profilaxia (prevenção do contágio).

    Num encontro recente com jornalistas, o médico Eugénio Teófilo explicou ainda que, nas grávidas com VIH, é sempre feita cesariana e promovido o aleitamento artificial, para minimizar os riscos de transmissão do vírus.

    Entre as pessoas que têm HIV, há a distinguir três grupos: os que não têm sintomas, os que apresentam alguns sintomas, mas ainda não têm sida e os que já evoluíram para um caso de sida.

    Quanto aos portadores assintomáticos, que representam 46,8 por cento do total, são predominantemente pessoas jovens, entre 15 e 39 anos.

    Para Eugénio Teófilo, Portugal continua com "valores muito altos de casos de sida por milhão de habitantes".

    Uma das explicações avançadas para Portugal ser um dos países da Europa Ocidental com maior número de notificações é, segundo o especialista em medicina interna, a falha na prevenção, que existe muito graças à escassez de campanhas.

    Por isso, o médico do hospital dos Capuchos considera necessário melhorar a comunicação das campanhas, através de linguagem mais simples e de imagens mais atractivas.

    "As campanhas são poucas, pouco apelativas e devia haver distinção entre campanhas para a população geral e para alvos específicos", criticou.

    Alertou ainda que os casos de HIV por transmissão estão a aumentar, o que mostra uma continuação dos comportamentos de risco.

    Segundo contou, há "muitos casos" de homens que nunca fizeram o teste ao HIV por não se identificarem com o que tradicionalmente se designava por grupos de risco: toxicodependentes e homossexuais.

    "Aparecem agora muitos já doentes e sem nunca terem feito o teste", frisou.

    O número de notificações poderá aumentar com um novo sistema, em vigor este ano, que prevê que o Ministério da Saúde pague anualmente às instituições de saúde por cada doente que inicia o programa de tratamento ao HIV.

    Isto porque o HIV/sida já é uma doença de declaração obrigatória em Portugal, mas estima-se que haja uma sub-notificação dos casos, que poderá ser revertida com este programa de pagamento, uma vez que para receberem o dinheiro do Ministério da Saúde os hospitais têm obrigatoriamente de notificar os doentes que entram em programas de tratamento.

    Quanto aos casos de HIV/sida na população imigrante em Portugal, Elizabeth Pádua adiantou que a percentagem de pessoas de naturalidade estrangeira é "pouco importante", apesar de a nível internacional as migrações assumirem uma dimensão importante na transmissão do vírus.

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