Sociedade

Maioria dos Lions está nos Açores


 

Rui Jorge Cabral   Regional   14 de Out de 2007, 12:28

Os Açores têm actualmente um quinto (20 por cento) do total de Lions Club existentes em Portugal, uma percentagem muito acima da sua representatividade em termos populacionais.
Um sinal de que as organizações de carácter social e solidário têm tradição nos Açores. Actualmente, o Lions Club de São Miguel, o maior dos Açores, tem 63 sócios activos e pagantes. Mas há ao todo 13 Lions Club espalhados por São Miguel, Terceira, Faial, Flores e Pico. Isto enquanto o total de Lions Club em Portugal (incluindo os Açores) é de apenas 64. Números que orgulham o novo presidente do Lions Club de São Miguel, Noé Carvalho. Em entrevista ao programa Conversa Fiada, da Rádio Açores/TSF, este administrador do Banco Espírito Santo dos Açores diz ter ficado surpreendido por ter chegado à presidência de uma instituição como o Lions Club de São Miguel, para mais quando até é um sócio “recente”. Desde o passado mês de Julho que promete mais dinâmica para o Lions Club de São Miguel, apesar da vida profissional ocupada que leva. Contudo, “por mais ocupados que estejamos, arranjamos sempre um espaço”, esclarece.
Noé Carvalho admite que as pessoas estão hoje mais “comodistas”, mas quer contribuir para inverter este estado de coisas, até porque, afirma, preocupa-o o peso que problemas como o alcoolismo, a droga ou a delinquência já têm na sociedade açoriana. Por isso, alerta Noé Carvalho, se nada for feito, “o mal da sociedade vai acabar por cair sobre nós”. O movimento Lions tem como objectivo “servir” os segmentos mais carenciados da sociedade, não só através do apoio financeiro, mas também do psicológico, nomeadamente, no caso dos sem-abrigo, um grupo ao qual os Lions estão especialmente atentos. Não se substituem às instituições públicas, mas podem dar uma “ajuda”, como refere Noé Carvalho, mesmo quando as IPSS têm cada vez mais peso na sociedade, no apoio que prestam aos mais desfavorecidos.
“Estamos conscientes que o nosso lugar ainda é muito importante, porque há margens na sociedade onde não basta apenas as instituições públicas e as IPSS e nós aí poderemos ser um complemento”, admite o actual presidente do Lions Club de São Miguel, uma instituição que se baseia sobretudo no voluntariado. Cada sócio do Lions Clube paga uma quota e organizam-se eventos de carácter social – como festas - para angariar receitas e fazer face aos apoios que os Lions pretendem dar.
Contudo, o Lions Clube de São Miguel não tem uma sede própria e este é o grande projecto da nova direcção. Há, inclusive, uma comissão já criada para o efeito e contactos com a Câmara de Ponta Delgada, para que este “ponto de honra” dos Lions de São Miguel possa ser concretizado.

Todos se tratam
por “companheiros”

Os Lions são uma associação elitista? O seu actual presidente, Noé Carvalho, reconhece que havia essa imagem, afirmando ao mesmo tempo que as pessoas que actualmente fazem parte dos Lions prezam o humanismo e o “sair das poltronas” para ir para rua e conhecer a sociedade onde vivem. É possível bater à porta dos Lions e dizer que se quer entrar? Não será bem assim, pois as novas admissões são feitas por proposta de um sócio. Contudo, Noé Carvalho diz que os Lions estão abertos e preparam neste momento a admissão de mais cinco sócios. Entre si, os Lions tratam-se por companheiros. Não há “doutores” e as mulheres - as “domadoras” em linguagem lionística - também já ultrapassaram a tradição e são hoje bem acolhidas entre os Lions.
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