Lula reafirma que biocombustíveis não aumentarão a fome no mundo


 

Lusa / AO online   Economia   29 de Set de 2007, 02:15

O Presidente do Brasil, Lula da Silva, reafirmou na sexta-feira que os biocombustíveis, como o etanol, não aumentarão a fome no mundo, como sugerem os líderes cubano e venezuelano e também a Conferência Episcopal brasileira.
Ao visitar na sexta-feira as obras de construção da Universidade Federal do ABC (uma área de sete municípios da Região Metropolitana de São Paulo), em Santo André, Lula comentou que em África "não se planta um pé de cana [de açúcar] e ainda assim há fome".

"A fome não é por falta de alimento, mas sim por falta de dinheiro para comprar alimento", acrescentou Lula, numa resposta indirecta a Fidel Castro e Hugo Chávez, que têm contestado a produção de etanol através de cana-de-açúcar e milho, uma insistente proposta de George W. Bush.

A conferência episcopal brasileira também levantou fortes objecções a este projecto, indicando que a produção de biocombustíveis vai provocar a concentração de propriedade rural, aumentando o número dos sem-terra e referindo o regime desumano em matéria de baixo pagamento e enorme carga de trabalho na safra da cana.

Lula insistiu na necessidade de investimentos para que os países em vias de desenvolvimento possam produzir biocombustíveis, porque, "em vez de comprarem [petróleo] aos príncipes da Arábia", poderão fazê-lo "aos pobres de África e da América Latina".

O Brasil lidera a produção e exportação mundial de etanol extraído da cana-de-açúcar e Lula sublinhou os avanços na biotecnologia aplicados à produção de álcool carburante, que permitem uma colheita de cana por hectare 4,5 vezes maior do que em 1975.

O Presidente brasileiro comparou os biocombustíveis aos combustíveis fósseis e referiu que uma plataforma petrolífera custa 2.000 milhões de dólares (1.406 milhões de euros) para empregar 7.000 pessoas na construção e depois apenas gera dez por cento de postos de trabalho.
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