Livro apresenta a ciência dos vulcões aos mais novos

Livro “Vulcanologia para jovens exploradores” foi concebido para alunos do 12.º ano e estudantes universitários, procurando atualizar e renovar o ensino da ciência dos vulcões.




O livro “Vulcanologia para jovens exploradores”, da autoria de Victor Hugo Forjaz, Carlos de Matos Alves e Teresa Palácios, com chancela Letras Lavadas, foi pensado para alunos do 12.º ano e estudantes universitários, procurando preencher uma lacuna de décadas na edição em língua portuguesa sobre ciência dos vulcões.

Ao Açoriano Oriental,  Victor Hugo Forjaz explicou que a obra, com cerca de 200 páginas e forte componente gráfica, apresenta conceitos fundamentais de vulcanologia, dados úteis para quem estuda ou explora vulcões e inclui ainda um resumo acessível da história desta ciência, desde a Antiguidade clássica até à vulcanologia moderna.

Segundo o vulcanólogo, a publicação surge num contexto em que a vulcanologia “evoluiu imenso nos últimos anos” e em que os jovens desempenham um papel crucial em dois planos: o pedagógico e o da segurança em cenários de crise vulcânica. Para o autor, em situações de desastre “o jovem é criativo e tende a assustar-se menos do que os mais velhos”, o que pode ser determinante para a sobrevivência, reforçando a importância de dotar esta faixa etária de conhecimento sólido e atualizado.

Neste contexto, a obra dirige-se em primeiro lugar a alunos do 12.º ano e a estudantes do ensino superior, integrando-se nos ambientes escolares e universitários como um ensaio de iniciação e aprofundamento. O objetivo é introduzir conceitos de forma clara, recolhendo aprendizagens e servindo de base “para um caminhar mais sólido”, tanto para quem pretende seguir áreas científicas ligadas à Geologia e à vulcanologia, como para professores que queiram atualizar materiais didáticos.

Ao mesmo tempo, Victor Hugo Forjaz realça que o livro procura suprir um vazio editorial que se arrastava em Portugal, período em que praticamente não foram publicados manuais de vulcanologia dirigidos a estudantes. Até agora, a principal referência continuava a ser o livro do Professor Frederico Machado, de 1965, o que, segundo Victor Hugo Forjaz, justificava a urgência de uma obra atualizada, ajustada aos avanços científicos e às novas ferramentas tecnológicas.

A edição foi concretizada nos Açores pela Letras Lavadas, através do editor Ernesto Resendes, que aceitou o desafio de publicar o manual com todas as gravuras originais, num processo de produção decorreu ao longo de aproximadamente um ano, metade dedicado à redação e a outra metade à revisão por vários colegas que contribuíram com pareceres científicos, num esforço de conciliar rigor técnico com linguagem acessível.

O livro percorre ainda o historial da vulcanologia, dos primeiros registos dos gregos e romanos até ao Iluminismo, destacando como marco fundador a erupção do Vesúvio no ano 69 d.C., descrita por Plínio, o Velho, e Tácito. Esse relato da destruição de Pompeia, conservado em arquivo, é apresentado como um ponto de partida para o tratamento sistemático dos fenómenos vulcânicos, ligando a curiosidade histórica à compreensão dos riscos naturais contemporâneos.

A obra sublinha igualmente o impacto da tecnologia na forma como se estudam hoje os vulcões, comparando o papel revolucionário do telégrafo nos séculos XVI e XVII ao dos drones na vulcanologia atual. Os autores explicam que os drones permitem recolher amostras e medir gases no interior das crateras sem colocar em risco a vida dos especialistas, num contexto em que a comunicação em tempo real com equipas do Japão, China, Indonésia ou Canárias faz parte do quotidiano da investigação.

A recetividade tem sido “excelente” tanto no ensino secundário como no superior, adianta Victor Hugo Forjaz, que já antecipa uma segunda edição com um nível de aprofundamento maior. Em paralelo, está a ser preparado um pequeno livro de vulcanologia para crianças dos 6 aos 10 anos, que já mereceu pareceres positivos de educadores, numa aposta em formar desde cedo cidadãos informados sobre riscos naturais. 

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