Lisboa estuda novas técnicas para dar mais segurança a edificios e pessoas

Lisboa estuda novas técnicas para dar mais segurança a edificios e pessoas

 

lusa/AO Online   Economia   29 de Set de 2012, 11:43

Um parafuso gigante, faixas de rede de carbono e molduras amortecedoras são técnicas inovadoras que estão a ser desenvolvidas em Portugal para proteger construções antigas dos efeitos dos sismos.

 

No laboratório de engenharia civil, do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, o doutorando João Guerreiro roda uma manivela para aumentar a pressão sobre um bloco de alvenaria.

O ensaio científico mede quanto o confinador pode aumentar a segurança dos edifícios, na sua futura função de segurar paredes e chão de madeira.

Para olhos mais leigos, o confinador funciona como um ‘parafuso’: há uma estrutura circular de metal que segura um varão, que serve para agarrar paredes ao piso.

Na explicação científica de João Guerreiro à Lusa, o confinador reduz o risco para quem ocupa o edifício porque a “primeira falha” num sismo acontece entre as paredes e o piso, o que pode conduzir ao colapso.

Com os ensaios efetuados, e que devem estar concluídos a meio de 2013, estima-se que a força de ligação, através do uso de confinadores, aumente em 20 vezes.

A investigação de João Guerreiro, como o próprio explica, visa desenvolver técnicas que cumpram a Carta de Veneza, ou seja, o manual para a boa reabilitação.

Entre as regras estão o uso de métodos pouco intrusivos, compatíveis, originais, no sentido de não alterar o conceito estrutural do edifício, e que sejam reversíveis, enuncia o bolseiro. 

Com desenvolvimento mais atrasado estão as faixas de reforço, cuja função será impedir a deformação das paredes no decorrer de um sismo.

Segundo João Guerreiro, a colocação de uma rede de carbono com argamassa em faixas ao longo das paredes visa o “reforço da capacidade de resistência da parede à flexão”.

Das três técnicas que estão a ser desenvolvidas no Técnico, a mais inovadora para o investigador são os painéis dissipadores, ou ‘moldura’.

Ainda sem ensaios realizados, a técnica remete para a “gaiola” pombalina, ou seja, painéis de madeira no “miolo” dos edifícios que se encontram na baixa de Lisboa.

A técnica visa reforçar os painéis com peças de amortecimento que “permitirão dissipar a energia”.

“Não irão reforçar significativamente a estrutura em termos de capacidades resistentes, mas consegue diminuir o valor da ação sísmica”, explicou o investigador.

Os ensaios estão a ser suportados por uma empresa de reabilitação (STAP), que tem a decorrer outras investigações na Universidade do Minho, com vista a soluções mais rápidas e baratas para reforçar as respostas dos edifícios a sismos.


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