Karaoke nas missas de Monte Real melhorou qualidade das celebrações mas não os fieis


 

Lusa / AO online   Nacional   21 de Dez de 2008, 13:10

Um ano após ter implementado o karaoke nas missas da paróquia de Monte Real, no concelho de Leiria, o padre José Alves garante celebrações de melhor qualidade, mas confessa não ter conseguido aumentar o número de fiéis.
    “No fundo, a quantidade não aumentou, mas a qualidade, na mesma simplicidade, de facto aumentou”, admitiu o sacerdote à agência Lusa, considerando, ainda assim, o balanço “muito positivo”.

    O pároco de Monte Real, que não parece incomodado por dividir as atenções do altar com dois ecrãs, acrescentou: “As pessoas, mesmo que não tenham muita vontade, acabam por cantar”.

    É através destes dois ecrãs – a que se junta um terceiro virado para o altar – que os fiéis acompanham os cânticos, mas também as leituras das missas, através da alteração da cor das letras.

    A iniciativa do padre José Alves, que começou a ser ensaiada há dois anos para entrar em pleno funcionamento em 2007, causou surpresa junto dos fiéis.

    Albertina Filipe, paroquiana de 53 anos, reconheceu que “as pessoas ficaram um bocadinho admiradas”, para imediatamente lembrar: “Mas como ele é uma pessoa da tecnologia e da renovação, toda a gente aceitou muito bem”.

    Maria dos Anjos, 55 anos, que faz parte do coro e integrou as gravações dos cânticos disponíveis no sistema karaoke, referiu-se ao padre José Alves como “arrojado a cem por cento”.

    Carlos Ferreira, de 46 anos, prosseguiu: “É uma ideia brilhante que o padre José Alves teve”.

    Para o habitante de Monte Real, se há algo que o karaoke quebrou nas missas – sejam coincidentes com casamentos, baptizados ou funerais - foi a monotonia.

    Por isso, admite que “é melhor agora” e que o acompanhamento das missas é “mais fácil”, pois tudo se resume a uma questão de leitura.

    Para Carlos Ferreira, o karaoke confere também outra vantagem: “As pessoas não se distraem tanto”, garantiu.

    Já Bernardo Lopes, de 11 anos, observou que as missas em Monte Real “é uma coisa diferente, que nem todas as igrejas têm”, considerando as celebrações “alegres e divertidas”.

    Mas não foi sempre assim na paróquia de Monte Real, onde há dez anos tomou posse o padre José Alves.

    Desmotivação e mesmo celebrações tristes foi o que encontrou o sacerdote quando não havia coro ou organista que assegurasse a parte musical das missas.

    Ainda tentou resolver a questão com a disponibilização de livros de cânticos e orações nos bancos do templo, e a colocação, na parede, de um painel com os números das canções, mas rapidamente o pároco descobriu que a solução não passava por aqui.

    Até que descobriu o karaoke num bar, impulsionado, é certo, por assumidas “dificuldades em cantar e cantar afinado”.

    Feitas as gravações de voz e as respectivas orquestrações, da responsabilidade do compositor Rui Lavos, que é também organista das celebrações, o sistema ficou pronto, assim como a certeza de que não resolve tudo.

    “Não é o karaoke que vai resolver toda a falta de participação das pessoas e até mesmo dos rituais que estão muito institucionalizados e são muito rígidos”, alertou.

    O sacerdote, que já exportou a ideia para outra paróquia da sua alçada – Carvide, também no concelho de Leiria - admite agora dar acções de formação sobre karaoke a colegas que estejam a ponderar instalar um sistema idêntico.

    Sistema que, recordou, tem “um inconveniente grande”: dois computadores, um monitor, uma mesa de mistura, uma coluna de som e três ecrãs custaram cinco mil euros.

    “É o mínimo que se pode gastar para ter o sistema a funcionar em plenitude”, advertiu quem considera o karaoke revelador de que a Igreja acompanha os novos tempos e as novas tecnologias, mas também quem aqui encontrou “uma forma de evangelizar”.

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