Irão expulsa embaixador canadiano


 

Lusa / AO online   Internacional   4 de Dez de 2007, 10:20

O Irão expulsou o embaixador do Canadá em Teerão, anunciou segunda-feira o chefe da diplomacia canadiana Maxime Bernier, qualificando esta decisão como "completamente injustificável".

“O Canadá lamenta a decisão do governo iraniano ordenando o nosso embaixador a abandonar Teerão, que é completamente injustificável”, afirmou Bernier em comunicado.

“O Canadá e o Irão tentam entender-se sobre uma troca de embaixadores há algum tempo, mas infelizmente ainda não conseguimos aceitar os candidatos propostos por Teerão. Acreditamos que a expulsão do nosso embaixador é uma consequência lamentável e injustificável desta situação”, explicou o chefe da diplomacia canadiana.

Teerão expulsou domingo John Mundy, embaixador nomeado pelo Canadá e parece pretender “diminuir a importância” das suas relações com o Canadá, indicou Shaun Tinkler, porta-voz do ministério canadiano dos Negócios Estrangeiros.

A permanência da embaixada canadiana de Teerão será assegurada pelo encarregado de negócios no local.

“As embaixadas dos dois países, nas nossas respectivas capitais, vão continuar abertas e vão continuar a exercer as suas actividades habituais”, assegurou o ministro canadiano dos Negócios Estrangeiros, que pretende “manter a comunicação” com as autoridades iranianas.

As relações entre o Canadá e o Irão são tensas desde a morte, há mais de quatro anos, da irano-canadiana Zahra Kazemi.

Esta fotógrafa de 54 anos foi detida no final de Junho de 2003, quando tirava fotografias à frente da prisão de Evine, em Teerão, e foi violentamente agredida durante a sua detenção, acabando por morrer a 10 de Julho de 2003.

O Canadá protestou posteriormente contra o arquivamento, na primeira instância, pela justiça iraniana do processo contra o presumível assassino de Zahra Kazemi.

Em Maio de 2005, Otava aumentou o tom dos seus protestos, decidindo “restringir” as relações do Canadá com o Irão depois do Tribunal de Apelo de Teerão, encarregue de julgar o presumível assassino de Kazemi, ter recusado ouvir numa primeira audiência os advogados da família da vitima.

O Supremo Tribunal Iraniano ordenou na semana passada um novo julgamento no caso Zahra Kazemi, uma decisão acolhida com prudência pelo Canadá.

O Canadá esteve também na origem de diferentes resoluções na Assembleia-geral da ONU exortando Teerão a respeitar “os direitos do Homem”.


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