Espanha

Ingrid Betancourt recebe Prémio Príncipe das Astúrias

Ingrid Betancourt recebe Prémio Príncipe das Astúrias

 

Lusa/AO online   Internacional   10 de Set de 2008, 11:07

A franco-colombiana Ingrid Betancourt, antiga refém das FARC, foi galardoada com o Prémio Príncipe das Astúrias da Concórdia 2008, confirmando o seu favoritismo entre os candidatos finais.
Betancourt - cuja candidatura aos Prémios mais prestigiosos concedidos em Espanha foi apresentada ainda antes da sua libertação – venceu na votação final do júri, hoje de manhã em Oviedo, nas Astúrias.

    “Ingrid Betancourt personifica todos os que no mundo estão privados de liberdade pela defesa dos direitos humanos e a luta contra a violência terrorista, a corrupção e o narcotráfico”, refere a acta do júri.

    “Ao destacar a fortaleza, a dignidade e valentia com que Ingrid Betancourt enfrentou seis anos de injusto cativeiro, o júri quer solidarizar-se com todos aqueles que padecem as mesmas condições dramáticas e inadmissíveis que ela sofreu bem como os governos que, como o colombiano, trabalham pela consolidação do sistema democrático e das liberdades cívicas”, sublinha.

    Ingrid Betancourt, que esteve sequestrada nas selvas colombianas durante mais de seis anos, tornou-se num símbolo mundial da liberdade e da resistência humana perante as mais duras adversidades, reconhece a Fundação Príncipe das Astúrias.

    “A sua luta a favor da democracia tem sido um exemplo cheio de esperança de dignidade e valentia para todo o mundo”, sustenta.

    A candidatura de Betancourt recebeu apoios de várias individualidades, entre as quais anteriores vencedores dos Prémios Príncipes das Astúrias, como os ex-presidentes português, Mário Soares e brasileiro Fernando Henriques Cardoso, Umberto Eco e Mary Robinson.

    Simone Beil, Javier Pérez de Cuellar, Vaclav Havel, Jacques Delors e Juan antónio Samaranch apoiaram igualmente a candidatura.

    Nascidade em Bogotá em 1961 Betancourt é filha de um ex-ministro da Educação colombiano, Gabriel Betancourt e da ex-congressista e ex-embaixadora na Guatemala Yolanda Pulecio.

    Estudou Ciências Políticas em França onde se casou com um diplomata francês e obteve a nacionalidade daquele país, regressando à Colômbia em 1990 para trabalhar como assessora no governo.

    Inicia a sua carreira política em1994, quando se apresenta como candidata do Partido Liberal, então no governo, tornando-se uma firme defensora da liberdade e dos direitos humanos.

    Em 1998 passa para o Partido Oxigénio Verde e é eleita para o senado, abandonando o cargo para se candidatar à presidência do país em 2002, altura em que foi sequestrada pelas FARC.

    Membros do júri dos Prémios Príncipe das Astúrias tinham já admitido o favoritismo da antiga candidata à presidência colombiana.

    O Prémio da Concórdia é concedido a pessoas ou instituições cujo trabalho contribuiu de forma exemplar e relevante para o entendimento e a convivência em paz entre os homens, a luta contra a injustiça, a pobreza, a doença, a ignorância ou a defesa da liberdade.

    Reconhece ainda quem tenha aberto novos horizontes para o conhecimento ou se tenha destacado de forma extraordinária na conservação e protecção do património da humanidade.

    Concedido no ano passado ao Yad Vashem, o Museu do Holocausto de Jerusalém e em 2006 à UNICEF, o Prémio da Concórdia é o oitavo e último prémio anual concedido pela Fundação Príncipe das Astúrias, dotado como os restantes com 50 mil euros e a escultura criada especialmente para o galardão por Joan Miro.

    Este ano foram já atribuídos os prémios de Ciências Sociais, a Tzvetan Todorov; Cooperação Internacional (a quatro organizações que lutam contra a malária em África); Artes (ao Sistema de Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela), Investigação Científica e Técnica (a cinco investigadores que estudam a aplicação de novos materiais à ciência); Letras (Margaret Atwood); Comunicação e Humanidades, para a Google e Desporto, para o tenista espanhol Rafael Nadal.

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