Inauguração hoje de nova Igreja da Santíssima Trindade é "ponto alto" das comemorações das aparições


 

Lusa/ AO   Nacional   12 de Out de 2007, 08:20

A inauguração, esta tarde, da Igreja da Santíssima Trindade, em Fátima, será o "ponto alto" das comemorações dos 90 anos das aparições da Cova da Iria.
Da autoria do arquitecto grego Alexandros Tombazis, a nova Igreja, com capacidade para 9.000 pessoas sentadas, custou cerca de 70 milhões de euros, a que se somará a contribuição de dez milhões de euros que o santuário irá fazer para a construção do túnel rodoviário adjacente e que será tutelado pela Estradas de Portugal.

    Cerca de 40 cardeais e bispos de diversas nacionalidades acompanharão hoje o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, nas cerimónias, a que deverão assistir o Presidente da República, Cavaco Silva, e o Presidente da Assembleia da Republica, Jaime Gama.

    Ao longo de cerca de três horas, os fiéis assistirão à bênção e dedicação da nova igreja, que o Santuário de Fátima espera que venha a ser um projecto arquitectónico de referência a nível mundial, marcando linhas modernas para o culto religioso a que se somam várias obras de arte.

    No interior do templo, por exemplo, os peregrinos podem ver obras de Siza Vieira, Pedro Calapez, Kerry Joey Kelly (Canadá), Maria Loizidou (Chipre) e Catherine Green (Irlanda), entre outros autores.

    Uma das peças com maior impacto é a parede de fundo do altar, com mais de 500 metros quadrados, que inclui vários desenhos de inspiração ortodoxa sobre folha de ouro em relevo da autoria do esloveno Marko Ivan Rupnik.

    Mas nem todos gostam do estilo do novo templo: tanto movimentos católicos conservadores como grupos e personalidades que defendem uma maior abertura ao diálogo inter-religioso fizeram críticas à igreja.

    A presença de iconografia de origem ortodoxa na nova igreja e a possibilidade de aí se realizarem cerimónias ecuménicas entre confissões cristãs motivaram protestos de alguns grupos conservadores que seguem a doutrina de Marcel Lefébvre - excomungado por João Paulo II - e estão integrados na Fraternidade São Pio X.

    Por outro lado, os defensores de uma maior abertura da Igreja ao diálogo com outras religiões lamentaram a decisão da hierarquia em insistir em temas que dividem as várias confissões cristãs, como a Santíssima Trindade ou o culto de Maria.

    Desdramatizando, o Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, diz que estas críticas são um sinal de que o novo templo atingiu o "equilíbrio desejado" entre os crentes, considerando que será sempre difícil "agradar a todos".

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.