Imigrantes guineenses em Portugal enfrentam dificuldades na legalização


 

Lusa/AO   Nacional   16 de Nov de 2007, 08:13

A comunidade guineense em Portugal tem poucas habilitações e a falta de documentação é a sua "grande dor de cabeça" para a integração na sociedade, disse à Agência Lusa o director-geral dos Assuntos Jurídicos e Consulares guineense.
Este e outros problemas da imigração serão tema da primeira Reunião Ministerial EuroMed sobre Migrações, que decorre no domingo e na segunda-feira em Albufeira, no Algarve, no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia.

    "A comunidade guineense tem um 'handicap' derivado do fraco nível de escolaridade e formação técnico-profissional e quando confrontados com a concorrência do mercado de trabalho não conseguem corresponder às expectativas", afirmou Alfredo Cristóvão Lopes, salientando que muitos guineenses são preteridos a favor dos originários dos países do leste da Europa.

    "Por exemplo, hoje em dia há uma grande comunidade imigrante em Portugal do leste europeu, pessoas com uma formação elevada, em termos técnicos e científicos. Essas pessoas facilmente são preferidas como trabalhadores em vez dos nossos", sublinhou.

    Segundo dados do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) português, da população guineense residente em Portugal, que rondava as 20.000 pessoas em 2004, apenas 112 eram dirigentes e quadros superiores e 338 quadros intelectuais e científicos.

    Para Alfredo Cristóvão Lopes, Portugal "não tem feito muito para ajudar a integração dos guineenses", contrariamente, contrariamente ao que faz, por exemplo, o governo francês que dá formação de língua francesa e cursos técnicos intensivos aos imigrantes.

    Segundo o responsável, outra "dor de cabeça" que atinge os guineenses em Portugal é a falta de documentação.

    "A falta de documentação é a grande dor de cabeça da nossa comunidade para a sua integração", disse.

    "É verdade que Portugal é um país soberano com a sua lei de imigração, mas também devido à história e aos laços culturais que nos unem e no âmbito da própria Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Portugal podia ter uma atenção particular com a nossa comunidade", salientou, questionado se o balcão de atendimento para os cidadãos da CPLP no aeroporto de Lisboa é só para inglês ver.

    "Portugal devia ser mais flexível e ajudar a nossa comunidade a legalizar-se, porque essas pessoas foram para Portugal porque não tiveram alternativas aqui", desabafou.

    "Um emigrante guineense não documentado em Portugal, vive angustiado com a possibilidade de um dia ser apanhado na rua e ser deportado para o país", disse, sublinhando que às vezes é a própria administração portuguesa que "fabrica" clandestinos.

    Questionado sobre o número de cidadãos guineenses a viver em Portugal, Alfredo Cristóvão Lopes apontou para um número que rondará entre 45 mil e 60 mil pessoas, salientou, contudo, que o número não abrange apenas os legalizados.

    Dados da ACIME, em 2004, referem 25.148 guineenses com autorização de residência e permanência em Portugal, sendo a quinta maior comunidade estrangeira em Portugal, em que o Brasil surge em primeiro lugar, seguido da Ucrânia, Cabo Verde e Angola.

    Os mesmos dados referem que a comunidade guineense tem mais homens do que mulheres e que a faixa etária média ronda os 29 anos de idade.

    A maior parte dos guineenses a viver em Portugal são operários qualificados e semi-qualificados (4 780) e operários não qualificados (2 475).
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