Groundforce termina 2008 com prejuízo de 36 milhões de euros

Groundforce termina 2008 com prejuízo de 36 milhões de euros

 

Lusa/AO Online   Economia   22 de Dez de 2008, 14:43

A empresa de handling (assistência em terra aos aviões) Goundforce vai terminar o ano com prejuízos de 36 milhões de euros, mais seis milhões que em 2007, segundo uma circular interna a que a agência Lusa teve acesso.
 "A Groundforce perdeu 30 milhões de euros no ano passado e este ano, 2008, perdeu 36 milhões, lançando a empresa numa situação insustentável e sem perspectivas de futuro caso nada venha a ser feito", lê-se na circular interna assinada pelo administrador-delegado da empresa, Fernando Melo.

    Para 2009, o orçamento apresentado aponta para prejuízos na "ordem dos 17 milhões de euros", avança o documento distribuído aos trabalhadores na quinta-feira.

    Afirmando que, do ponto de vista organizacional, a actual administração "está a fazer o que vem nos livros", no âmbito de um "processo de melhoria contínua", Fernando Melo detalha "a razão pela qual a Groundforce continua com um problema grave nos seus resultados".

    Citando um estudo elaborado pela consultora McKinsey, o administrador-delegado da Groundforce afirma que a empresa "paga 40 por cento acima do seu concorrente", que o Acordo de Empresa (AE) está "desajustado às exigências actuais da operação, onde existem muitas horas de pico e desequilíbrios durante a semana" e que os aumentos anuais da massa salarial, "incluídas as progressões de carreira e os aumentos devido à inflação, rondam os sete por cento".

    "Ora, se não é possível aumentar os preços aos nossos clientes em sete por cento ao ano, tal significa que a empresa vai ter cada vez mais prejuízos de ano para ano", afirma Fernando Melo, avançando que a empresa apresentou aos sindicatos uma nova propostas negocial para o novo AE "que vai no sentido de viabilizar o futuro da Groundforce".

    Esta proposta, segundo a circular interna, tem como "princípio base" a "conservação" dos salários actuais, mas introduz um novo plano de carreiras, novos modelos de tabela de remuneração e de organização da prestação de trabalho, bem como a eliminação dos três primeiros dias de baixa.

    "Reconheço que tem sido feito um grande esforço para a redução de custos, mas se os custos salariais representam 73 por cento dos custos totais será difícil conseguir a redução necessária nos restantes 27 por cento", justifica o administrador-delegado.

    Sublinhando que a empresa "não pode apresentar permanentemente resultados negativos perante os accionistas", Fernando Melo destaca o "enorme esforço" dos trabalhadores na recuperação da empresa e mostra-se confiante de que "os sindicatos vão colaborar em todo o processo e estão verdadeiramente empenhados em resolver o problema da empresa".

    A Groundforce é detida pela TAP (49,9 por cento) e por um consórcio que integra os bancos BIG, Banif e Banco Invest (50,1 por cento).

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