O secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, falava na abertura da Lisbon Food Affair, que decorre até quarta-feira na FIL – Feira Internacional de Lisboa e conta com a participação de 20 empresas do arquipélago açoriano.
A Lisbon Food Affair é uma feira exclusivamente profissional do setor agroalimentar em Portugal, reunindo fabricantes e distribuidores de alimentos e bebidas, bem como empresas de equipamentos, serviços e tecnologias destinadas à distribuição e ao canal Horeca, tanto a nível nacional como internacional.
“Este é um espaço de oportunidades e, como espaço de ocasião, é também um espaço de negócio. As empresas estão aqui não apenas pela apresentação do produto, mas para estabelecer contactos e diálogos com empresas nacionais e internacionais que podem resultar em interesses comerciais em quantidade e qualidade”, sublinhou o titular pela pasta da Agricultura nos Açores.
António Ventura disse que os Açores afirmam-se pela “excelência intrínseca dos produtos”, resultante do “cruzamento que existe entre os solos vulcânicos, a brisa marítima e o saber-fazer dos açorianos”.
Em declarações aos jornalistas, o governante sublinhou ainda a importância da Marca Açores, que “conta atualmente com mais de nove mil selos e mais de 300 empresas aderentes” e celebra este ano o 11.º aniversário, considerando que “tem sido um elemento de alavanca" dos produtos fabricados no arquipélago.
"É uma marca de sucesso, reconhecida a nível nacional e internacional”, reforçou, acrescentando que o nome Açores “é reconhecido e afirmado" quer a nível nacional, quer internacional.
O governante salientou também que a feira permite resultados concretos, indicando, por exemplo, que no ano passado a região alcançou "dois prémios de reconhecimento internacional ao nível de inovação, o que é motivo de grande orgulho para os Açores e para os produtores", além de permitir estabelecer "contratos comerciais duradouros".
O secretário regional da Agricultura reconheceu, contudo, que por vezes falta capacidade de "fornecimento em quantidade".
Mas, segundo António Ventura, essa limitação “é também o trunfo dos Açores”, já que a aposta está na “pequena e média quantidade”, que assegura a “excelência e a diferenciação” dos produtos açorianos.
“Os Açores estão vocacionados para nichos de consumidores e não para grandes superfícies. A nossa excelência afirma-se para quem obviamente quer um produto de qualidade, no alimento e no imaginário. O mercado internacional não procura só quantidade, procura aquilo que é diferente e a diferenciação é um sucesso”, considerou.
Entre os produtos açorianos diferenciados estão os laticínios, carnes, hortícolas, licores e bebidas, marcados pela singularidade e qualidade, de acordo com o governante.
"Qualquer que seja o produto dos Açores é apreciado em qualquer parte do mundo. Mas, há por vezes dificuldade em chegar a estes mercados internacionais, devido aos transportes aéreos e marítimos. Mas, estamos a evoluir em termos de mobilidade dos açorianos e das mercadorias entre os Açores e o resto mundo", assegurou.
E, embora ainda não tenha sido alcançado "o sistema perfeito", a região está "a trabalhar para continuar a melhorar a mobilidade dos açorianos" e o transporte de "mercadorias entre os Açores e o resto do mundo", acrescentou.
António Ventura adiantou igualmente que foi constituído um grupo de trabalho da Marca Açores, que irá apresentar conclusões para a revisão dos critérios de adesão e afirmação da marca.
“Ao fim de 11 anos, é natural revisitar um processo de sucesso. Há novas exigências dos consumidores e novas formas de produzir, e essa conjugação deve conduzir a um modelo melhor. Vivemos um mundo diferente e temos um consumidor mais atento”, justificou.
Governo Regional destaca excelência dos produtos açorianos mas admite desafios nos transportes
O secretário da Agricultura dos Açores destacou, em Lisboa, “a excelência intrínseca” dos produtos açorianos "em qualquer parte do mundo", admitindo que as dificuldades no transporte ainda condicionam a chegada aos mercados internacionais, situação que “está a ser corrigida”
Autor: Lusa/AO Online
