Escola de bombeiros alerta para a necessidade de preparação para uma catástrofe

O presidente da Escola Nacional de Bombeiros (ENB) alertou para a necessidade de as pessoas estarem preparadas para acidentes graves e catástrofes, indicando que “só há pânico se houver desconhecimento”



“Conhecer o que me pode acontecer. Quais são os riscos a que eu estou sujeito? Como é que me vou preparar para ele [o incidente]?”, disse Lídio Lopes, no primeiro dia do curso de formação de profissionais para a área da proteção civil, que começou com um grupo de 18 padres de diferentes zonas do país, inclusive do arquipélago das Madeira e dos Açores.

Lídio Lopes disse que quanto mais preparadas as pessoas estiverem, melhor vão acolher um possível incidente e “muito melhor e mais depressa” vão voltar à normalidade e com “muito menos prejuízo”.

O presidente da ENB disse que o objetivo da formação é que os profissionais possam aprender a reagir a um acidente grave e partilhar as aprendizagens com o seu meio profissional e social.

Segundo Lídio Lopes, é preciso melhorar o nível de resiliência do país através das comunidades, destacando que a ENB pretende disponibilizar cursos para advogados, professores, empresários, autarcas, entre outros profissionais.

Os participantes do primeiro curso de formação, na ENB, denominado de “Cidadão Resiliente”, que vai decorrer entre hoje e terça-feira, são padres, sendo que este foi o primeiro grupo de participantes por causa da disponibilidade do capelão da Liga dos Bombeiros Portugueses, o cardeal Américo Aguiar, em reunir uma turma.

“Faz toda a diferença numa comunidade existirem homens e mulheres minimamente preparados por uma primeira resposta”, destacou Américo Aguiar, alertando que deveriam realizar-se mais exercícios de preparação e de formação para acontecimentos de urgência.

Alguns participantes revelaram que muitas vezes não sabem como reagir a uma urgência e que a formação contribui para uma melhor resposta nesses momentos, como é o caso de Toni Sousa, que veio diretamente do Funchal, na Madeira para ir ao curso na ENB, que fica situada em Sintra, no distrito de Lisboa.

“Estou sempre dependente de outros. Durante as minhas celebrações (missas) já aconteceu alguém sentir-se mal ou acontecer algo e às vezes eu próprio não sei como agir”, disse Toni Sousa, destacando que tem a sorte de estar sempre um médico ou bombeiro por perto.

Outro participante, Óscar Paiva da diocese de Bragança-Miranda disse à Lusa que veio para aprender e para comunicar as aprendizagens à sua comunidade.

“Nós somos transmissores da palavra”, disse Óscar Paiva.

O presidente da ENB disse que já contactou organizações de profissionais, a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) para serem constituídas turmas de pessoas com a mesma profissão para participarem em mais formações.

Lídio Lopes disse ainda que a iniciativa não tem um prazo para terminar e vai continuar enquanto existirem profissionais que queiram participar, indicando que vão ser realizadas formações em várias zonas do país em simultâneo.

As formações começaram a ser preparadas em novembro e incluem aprendizagens teóricas, como os conceitos básicos de proteção civil, por exemplo saber o que é uma cheia, o que é um alerta, entre outras.

A formação também inclui aulas práticas como saber fazer o suporte básico de vida, elaborar um plano de operação, entre outras aprendizagens relevantes antes, durante e depois de um incidente.

PUB