Seguro eleito Presidente da República com recorde de votos

António José Seguro venceu as eleições Presidenciais de 2026, ontem, na segunda volta disputada com André Ventura, comprometendo-se a trabalhar por Portugal, sem ser contrapoder



À segunda foi de vez. António José Seguro venceu as eleições Presidenciais de 2026, ontem, na segunda volta que o deixou sozinho com André Ventura no boletim de voto. E tornou-se no sexto Presidente da República eleito da democracia portuguesa, com o maior número de votos expressos em 50 anos de democracia, ao superar os 3.459.521 de Mário Soares no sufrágio de 1991.

No discurso de vitória, António José Seguro fez questão de dirigir uma primeira palavra às famílias e empresas afetadas pelos fenómenos atmosféricos adversos das últimas semanas, prometendo que não as esquecerá, nem abandonará.

O Presidente da República eleito afirmou ainda que “a maioria que me elegeu extingue-se esta noite”, sustentando que, a partir de agora, deixou de ter adversários políticos: “Temos o dever partilhado de trabalhar por um Portugal mais desenvolvido e mais justo”, disse, assumindo o compromisso de trabalhar por um “Portugal que avança, sem deixar ninguém para trás”.

“Jamais serei um contrapoder, mas serei um presidente exigente”, garantiu, asseverando também que pretende “unir” e que por si a legislatura não será interrompida.
Perante uma sala repleta, avisou que, consigo em Belém, os interesses “ficarão à porta” e que não falará “por tudo e por nada, mas quando falar será para defender o interesse público”.

“A minha primeira lealdade é para com os portugueses e as portuguesas” - “serei o presidente de todos os portugueses, para mudarmos Portugal”, afirmou.
E, em resposta aos jornalistas, adiantou que Defesa e Segurança (contra a criminalidade e de pessoas e bens) serão as suas prioridades depois da tomada de posse agendada para daqui a um mês.

Ventura diz que abriu caminho para a governação

André Ventura, o candidato derrotado, reconheceu que não alcançou o seu objetivo, mas fez questão de sublinhar que obteve mais cerca de 300 mil votos que o Chega, o partido que lidera, obteve nas últimas Eleições Legislativas, tendo mesmo ultrapassado a percentagem de votos da AD naquelas eleições. Diz por essa razão que “é justo dizer que os portugueses nos colocaram no caminho para governar este País”. “Vamos em breve governar este País”, afirmou. André Ventura disse que felicitou Seguro pela vitória e que lhe desejou “um grande mandato”.

Marcelo recebe Seguro

Ontem à noite, a contagem dos votos ainda não tinha terminado, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa já tinha feito saber, através de uma nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, que felicitou o seu sucessor, António José Seguro, e que o vai receber hoje às 16h00.

A nota refere que o chefe de Estado “telefonou a António José Seguro para o felicitar pela sua vitória nas eleições presidenciais, desejando-lhe as maiores felicidades e êxitos para o mandato que os portugueses lhe atribuíram” e que se iniciará em 9 de março, manifestando “toda a disponibilidade para assegurar a transição institucional”.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, também felicitou ontem António José Seguro pela sua eleição e garantiu toda a disponibilidade do Governo para trabalhar em prol do futuro de Portugal.

Já o secretário-geral do PS considerou que a vitória de António José Seguro é o triunfo de um amplo campo democrático, dos valores constitucionais e de “um socialista de sempre”, mas que será “Presidente de todos os portugueses”. 

O secretário-geral do PS fez questão de acentuar a sua interpretação de que, “em primeiro lugar, esta é uma vitória do doutor António José Seguro”, depois de ter salientado que “os socialistas estão felizes”, mas que “esta é uma vitória de um amplo campo democrático, da esquerda até ao centro direita”, “uma vitória da democracia, dos valores constitucionais”.

Desde 1976, foram eleitos para a Presidência da República: António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).



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