“Naturalmente nós gostaríamos [que tivesse conseguido]. Eu disse aqui várias vezes que, sempre que um português está disponível para ser candidato a uma posição internacional ou uma posição europeia, tem o apoio do governo português e portanto nós tínhamos essa expectativa de eventualmente poder eleger o vice-presidente do BCE”, afirmou o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.
Em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas no final da reunião dos ministros das Finanças da União Europeia, um dia depois da vitória croata para a próxima vice-presidência do BCE, o governante apontou que “a candidatura que Portugal apresentou, passou a primeira ronda”, mas depois, “pelos números que foram apresentados”, o Governo decidiu “sair da corrida”.
Na segunda-feira, na chegada à reunião do Eurogrupo, o ministro das Finanças português antecipou uma “eleição difícil”, indicando porém manter “alguma esperança” na candidatura apoiada por Portugal, a de Mário Centeno.
Segundo Joaquim Miranda Sarmento, esta era uma “eleição difícil pelas próprias regras”, dado ser exigida uma maioria reforçada qualificada, mas também pela questão do equilíbrio regional, já que “o atual ‘vice’ é “um espanhol” depois de um português e um grego, todos do sul da Europa, devendo ser dada oportunidade a candidatos de outras geografias.
Na segunda-feira, o Eurogrupo escolheu – de entre seis candidatos – o governador do banco central da Croácia, Boris Vujčić, como vice-presidente do BCE, substituindo no cargo Luis de Guindos, cujo mandato termina no final de maio.
Fontes europeias avançaram à agência Lusa que a escolha foi feita na terceira ronda, já composta por dois candidatos de entre seis iniciais, com Boris Vujčić a arrecadar o necessário apoio (de 72% dos Estados-membros da área da moeda única - ou seja, pelo menos 16 dos 21 países do euro -, representando pelo menos 65% da população), face ao governador do banco central da Finlândia e ex-comissário europeu para Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn.
Na segunda ronda de votações, o Governo português retirou a candidatura de Mário Centeno à vice-presidência do BCE, num esforço para consenso que levou à retirada dos menos votados.
A votação decorreu à porta fechada na reunião dos ministros das Finanças do euro em Bruxelas, na qual Portugal estava representado pelo governante da tutela, Joaquim Miranda Sarmento.
Na sequência da discussão do Eurogrupo, o Conselho da UE vai adotar em fevereiro uma recomendação ao Conselho Europeu (ao nível de líderes), deliberando por maioria qualificada reforçada dos países do euro.
Em conformidade com o processo de seleção, depois de dados estes passos, o BCE e o Parlamento Europeu serão consultados antes de o Conselho Europeu tomar uma decisão final.
Governo esperava que Centeno fosse ‘vice’ do BCE mas não teve apoio suficiente
O Governo português disse que “tinha expectativa” que o ex-governador do Banco de Portugal e antigo ministro Mário Centeno tivesse conseguido a vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE), mas a candidatura não reuniu apoio suficiente e foi retirada
Autor: Lusa/AO Online
