Governo dos Açores rejeita "caos" nas deslocações de utentes

Governo dos Açores rejeita "caos" nas deslocações de utentes

 

Lusa/AO Online   Regional   1 de Abr de 2019, 17:12

O secretário regional da Saúde dos Açores, Rui Luís, rejeitou esta segunda-feira que esteja instalado um “caos” nas deslocações de utentes no arquipélago, em resposta a acusações do deputado do PPM Paulo Estêvão.

Segundo o governante, as situações em que as deslocações têm ocorrido de forma menos positiva são “pontuais” e “estão a ser analisadas com os conselhos de administração para melhorar todo o sistema”.

Rui Luís falava, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita ao gabinete do utente deslocado do Hospital da Ilha Terceira.

Momentos antes, em Ponta Delgada, o único deputado do PPM na Assembleia Legislativa dos Açores, Paulo Estêvão, dizia, numa conferência de imprensa, que estava “instalado o caos” no processo de deslocação de doentes na região, sobretudo para o Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada.

“A marcação das viagens dos doentes é realizada com muito pouco tempo de antecedência. Chega a ser na véspera, mesmo as que dizem respeito a cirurgias. Nestas condições não é possível, em muitos casos, confirmar as deslocações devido à indisponibilidade de lugares nas ligações aéreas asseguradas pela SATA. Tudo tenderá a agravar-se com o início do verão”, afirmou.

Segundo Paulo Estêvão, a alteração ao regulamento geral de deslocações do Serviço Regional de Saúde, publicada no início de agosto, previa a criação de gestores dos utentes deslocados nos três hospitais da região, mas essa figura foi criada apenas na ilha Terceira, verificando-se constrangimentos nas unidades de saúde referenciadas para os outros dois hospitais.

“Tenho casos documentados de doentes deslocados, que uma vez chegados ao hospital não têm consulta marcada. Tenho casos documentados de doentes deslocados que aguardam semanas entre a realização de consultas e exames, sem que exista a menor tentativa de coordenar e agilizar a realização dos respetivos atos de forma mais eficiente e menos onerosa para os utentes e para o Serviço Regional de Saúde”, frisou, acrescentando que não eram “casos isolados”.

Em Angra do Heroísmo, o secretário regional da Saúde anunciou, precisamente, o alargamento do gabinete do utente deslocado a todos os hospitais da região, até ao final do ano.

“Com os resultados que estamos a obter, em que se demonstra, de facto, que torna o processo da deslocação mais eficaz, obviamente que o objetivo é que os outros dois hospitais adiram a esta modalidade. Estamos conscientes que durante este ano ficará a funcionar”, salientou.

Segundo Rui Luís, o gabinete criado no Hospital da Ilha Terceira tem conseguido conciliar atos médicos numa só deslocação, por isso deverá ser implementado também nos hospitais da Horta e de Ponta Delgada.

“Nos primeiros seis meses de funcionamento no hospital da Terceira passaram por este gabinete 1.500 pedidos, tendo sido possível conciliar 19% dos atos, o que é muito positivo para os utentes deslocados”, apontou.

O governante reconheceu que, por vezes, as marcações são realizadas com pouca antecedência, o que dificulta a articulação com os voos disponíveis, considerando, por isso, da maior relevância uma diligente aplicação das regras instituídas para o Gabinete do Utente Deslocado.

“A ação do Governo Regional foi criar condições para que todas as unidades de saúde de ilha e hospitais utilizassem as ferramentas disponíveis, de modo a colocar o utente em primeiro lugar”, frisou.



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