Genéricos são tão eficazes como medicamentos de marca


 

Lusa/AO Online   Internacional   3 de Dez de 2008, 11:16

Os genéricos são clinicamente equivalentes aos medicamentos de marca usados no tratamento das doenças cardiovasculares, segundo uma análise de múltiplos estudos clínicos hoje publicada pelo Jornal da Associação Médica Americana (JAMA).
 "Os preços elevados dos medicamentos devem-se essencialmente aos medicamentos de marca, que são muito caros durante o período em que a sua patente é protegida a seguir à autorização para a sua entrada no mercado" nos Estados Unidos, escrevem os autores da investigação.

    Num esforço para controlar a explosão dos custos da saúde, o governo federal norte-americano e numerosas seguradoras e médicos encorajam a substituição dos medicamentos de marca pelas suas versões genéricas logo que expiram as patentes.

    Porém, doentes e médicos mostram-se preocupados com uma eventual menor eficácia dos genéricos.

    "As empresas farmacêuticas deram a entender em comunicados e na imprensa que os genéricos poderiam ser menos eficazes e menos seguros do que os medicamentos de marca", escrevem no estudo investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard (Massachusetts).

    O estudo consiste numa vasta análise de estudos clínicos comparativos de genéricos e medicamentos de marca publicados entre 1984 e Agosto de 2008, de forma a determinar a opinião dos peritos sobre a questão.

    Foram também examinados artigos publicados na imprensa sobre este tema durante o mesmo período.

    No total, os investigadores identificaram 47 artigos de análise médica detalhada de nove medicamentos cardiovasculares (genéricos e de marca), dos quais 38 (ou 81 por cento) apresentavam resultados de ensaios clínicos controlados com participantes escolhidos ao acaso.

    Em todos os casos, sem nenhuma excepção, os genéricos foram tão eficazes como os medicamentos de marca equivalentes.

    No entanto, entre os 45 artigos de imprensa publicados no mesmo período, 23 (53 por cento) contrariavam a ideia de que os genéricos e os medicamentos cardiovasculares de marca devessem ser indiferentemente receitados.

    Esta discrepância poderá ser explicada, por um lado, por inquietações de médicos "baseadas em experiências anedóticas ou outros ensaios não clínicos", ou "por ligações financeiras entre os autores dos artigos e as empresas farmacêuticas, nem sempre transparentes", referem os autores do estudo.

    Cerca de 50 por cento dos ensaios clínicos incluídos na amostra da análise (23 em 47) e a totalidade dos artigos de imprensa são omissos sobre o seu financiamento, segundo os investigadores.

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