“Não é tolerável, num contexto de cultura de segurança, a incorreção e, muito menos, a ocultação crítica de informação para a operação”, apontou a gestora, ouvida hoje na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa dos Açores, reunida em Ponta Delgada.
Segundo a gestora, “nessa medida, a ANAC substituiu-se ao operador do aeródromo” [ANA/Vinci] e emitiu seis avisos à aviação (denominados ‘notam’).
Ana Vieira Mata foi ouvida pelos deputados ao parlamento açoriano por proposta do deputado único do Bloco de Esquerda, António Lima, no sentido de tentar esclarecer de quem foi a responsabilidade pelos constrangimentos que se verificaram na operação ao avião A320 da Azores Airlines nas ligações entre Lisboa e Horta, em meados de abril, na sequência daqueles avisos.
“A emissão dos ‘notam’ decorreu da análise da informação técnica que nós havíamos recolhido e apontava para inconformidades relevantes, designadamente insuficiências no que diz respeito à capacidade de carga da pista, da observação da pista havia algum desgaste, inconformidades no que diz respeito às luzes, a inexistência de RESA’s (áreas de segurança nas cabeceiras da pista), etc…”, elencou a CEO da ANAC.
Um dos avisos mais gravoso emitido, na ocasião, pelo regulador está relacionado com as restrições à operação de aeronaves em condições de piso molhado, que acabou por ser retirado, alguns dias mais tarde, depois de a Azores Airlines ter feito divergir para a ilha do Pico, durante dois dias consecutivos, os voos com destino inicial à Horta.
A presidente da ANAC garantiu agora que a operação na pista do Aeroporto da Horta, que tem cerca de 1.700 metros de comprimento, “é segura”, mas insiste na necessidade de a empresa que gere aquela infraestrutura aeroportuária realizar obras de repavimentação.
“A operação é segura! A degradação da pista é um evento normal, nestas circunstâncias, agora a questão é: a pista pode estar mais ou menos degradada e, portanto, quanto mais depressa se degrada, maior a necessidade de intervenção precoce, nomeadamente, no que diz respeito à repavimentação”, explicou.
Ana Mata recordou também que, dos seis avisos lançados pela ANAC no mês passado sobre as condições de operacionalidade no Aeroporto da Horta, apenas um foi retirado e os restantes cinco ainda se encontram em vigor.
Os deputados ao parlamento açoriano tinham também agendado para hoje à tarde a audição de um responsável da ANA/Vinci sobre a mesma matéria, mas a reunião acabou por ser adiada por alegada indisponibilidade de agenda.
