Conservador Péter Magyar empossado no sábado como primeiro-ministro

O novo parlamento húngaro realiza a sua sessão inaugural no sábado, marcando o início do Governo do conservador Péter Magyar, que derrotou nas eleições de 12 de abril o ultranacionalista Viktor Orbán, após 16 anos no poder



Os resultados das legislativas, marcadas por uma participação recorde de quase 80%, determinaram uma viragem à direita no parlamento: dos 199 deputados, 141 pertencem ao Tisza, partido liderado por Magyar, enquanto o Fidesz de Viktor Orbán obteve 52 lugares – face aos 135 da legislatura anterior – e o movimento de extrema-direita Nossa Pátria manteve os seis eleitos.

Péter Magyar deverá prestar juramento pelas 15:00 locais (14:00 em Lisboa) e deverá fazer dois discursos: um aos deputados e outro aos apoiantes na Praça Kossuth, junto ao parlamento, onde são esperadas milhares de pessoas.

Magyar convocou os húngaros para uma celebração de "mudança de regime" que dura todo o dia no sábado, para assinalar a sua posse e o fim da era Orbán.

"Vamos atravessar a porta da mudança de regime com uma grande festa. Venham comigo, convidem a vossa família e amigos!", escreveu o futuro primeiro-ministro da Hungria nas redes sociais.

Também o presidente da Câmara de Budapeste, o liberal Gergely Karácsony, anunciou uma festa de "encerramento do sistema" ao longo do rio Danúbio, que divide a capital húngara, um evento que disse ser para mostrar gratidão aos húngaros que passaram anos a manifestar-se contra o regime de Orbán.

Mais de um quarto dos novos deputados são mulheres, um recorde neste país da Europa Central com 9,5 milhões de habitantes.

Além disso, quase todos os deputados do Tisza, que se estreia no parlamento, são novatos na política e foram escolhidos pelo líder do partido.

Magyar, um advogado de 45 anos e três filhos adolescentes, teve uma ascensão política meteórica.

Até ao início de 2023, era um discreto militante do Fidesz e desempenhava cargos de direção em empresas públicas na Hungria, após mais de oito anos na embaixada húngara em Bruxelas.

Um escândalo ligado a um encobrimento de pedofilia num orfanato, que fez cair a sua ex-mulher, Judit Varga, então ministra da Justiça, levou-o a denunciar publicamente a corrupção do Governo de Orbán e a abandonar os cargos públicos.

Juntou-se então ao Tisza, um partido com pouca expressão criado poucos anos antes por outro dissidente do Fidesz, e tornou-se o rosto da oposição a Viktor Orbán.

Concorreu às eleições europeias de junho desse ano, em que o Tisza teve quase 30% dos votos e elegeu sete eurodeputados ao Parlamento Europeu.

A rápida ascensão é vista por analistas como um reflexo do descontentamento geral no país e pelo facto de ser alguém que conhece o “sistema Orbán” por dentro.

Por outro lado, alguns acusam-no de oportunismo e populismo, enquanto o seu partido também cai no mesmo excesso de personalismo que critica em Orbán.

Definindo-se como católico e conservador, centra o seu discurso político em problemas que afetam a vida quotidiana dos cidadãos húngaros: o mau estado da economia, a corrupção, bem como outras questões sociais, como a saúde e a educação.

Apesar da sua ideologia conservadora, Magyar conseguiu atrair o apoio de eleitores liberais e de esquerda, que viram nele o único líder capaz de derrubar Orbán.


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