A posição expressa pela Fenprof numa nota à imprensa surge dias depois de terem sido divulgados os resultados provisórios da edição de 2025 do concurso FCT para projetos de investigação e desenvolvimento em todos os domínios científicos.
Segundo os resultados, divulgados na quarta-feira passada, foram recomendados para financiamento 720 projetos, dos 4.723 avaliados.
Para a Fenprof, que representa os investigadores e docentes universitários, os resultados "expõem o subfinanciamento da ciência em Portugal".
De acordo com os resultados, as taxas de aprovação variaram entre os 11%, para projetos de investigação científica e desenvolvimento tecnológico, e os 22%, para projetos de investigação exploratórios.
A Fenprof considera que estes valores "evidenciam a insuficiência do financiamento e o enorme desperdício de recursos e de tempo de trabalho investidos na preparação de milhares de candidaturas".
Na nota, a estrutura sindical refere que "o Estado não está a compensar a perda de fundos europeus com investimento nacional" e manifesta preocupação pela "distribuição desigual" do financiamento para os projetos de investigação e desenvolvimento, salientando que as áreas científicas das engenharias e das ciências médicas concentram quase 45% das candidaturas aprovadas, contra menos de 6% nas humanidades.
"Estes números exigem transparência e financiamento adequado em todos os domínios", sublinhou a Fenprof, que "exige mais financiamento público, concursos regulares, decisões céleres, taxas de sucesso superiores".
O concurso em causa, lançado no final de 2025 pela então Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), teve uma dotação de 104 milhões de euros, totalmente suportada por verbas do Orçamento do Estado.
Os resultados podem ser contestados em sede de audiência de interessados.
