Famílias portuguesas estão a alterar hábitos em matéria de crédito


 

Lusa/AO Online   Economia   18 de Dez de 2008, 10:29

As famílias portuguesas estão a alterar o comportamento perante a crise recorrendo mais ao crédito para artigos para o lar, em detrimento das habituais opções, como o automóvel, indicou hoje Associação de Instituições de Crédito Especializado.

   "Em Portugal estamos a assistir, devido à crise internacional, a uma alteração no comportamento dos particulares com as famílias a voltarem-se para o crédito especializado para comprar artigos para o lar [computadores, electrodomésticos e móveis] e menos para o crédito pessoal e automóvel", disse à agência Lusa a secretária-geral da ASFAC, Susana Albuquerque.

    Para a especialista, as famílias portuguesas estão a privilegiar "as actividades conjuntas, de partilha e de bem-estar para o lar".

    Neste sentido, "o crédito especializado para aquisição de artigos para o lar vai crescer em Portugal até ao final de 2008", ao invés do crédito pessoal (não afectado a bens específicos) e o automóvel", acrescentou.

    Susana Albuquerque referiu também que "o total do crédito especial concedido pelas associadas da ASFAC deverá estabilizar em 1,3 mil milhões de euros no quarto trimestre deste ano, face ao trimestre anterior, suportado pelo crescimento do crédito para aquisição de artigos para o lar".

    "Os demais tipos de créditos denotaram evoluções negativas", salientou.

    "Este comportamento pode ser [também] avaliado pelo crescimento do crédito [acima dos 10 por cento] para compra de artigos para o lar", garantiu Susana Albuquerque, adiantando que tem vindo a registar uma evolução "muito positiva".

    Já o crédito pessoal e o crédito para meios de transporte registaram valores negativos no terceiro trimestre de 2008, face a igual período de 2007, de 12,5 por cento e 7 por cento, respectivamente.

    A responsável disse ainda à agência Lusa que "a tendência [para a redução deste tipo de créditos] vai manter-se no quarto trimestre do ano e ao longo de 2009".

    Susana Albuquerque prevê que numa conjuntura de crise mundial o crédito total atribuído pelas 24 associadas da ASFAC - Associação de Instituições de Crédito Especializado, pela primeira vez, no quarto trimestre deste ano, comparativamente a igual período de 2007, se vai manter inalterado em 1,3 mil milhões de euros.

    "Ao longo do próximo ano a tendência de evolução aponta para uma redução global no crédito especializado concedido", devido não só ao facto de Portugal ser um mercado "mais maduro", mas também porque as taxas de endividamento, que oscilam entre os 10 a 15 por cento, ao ano, "não serem possíveis de manter", sublinhou.

    Na União Europeia, o crédito ao consumo e automóvel registou uma evolução negativa de 4,5 por cento no terceiro trimestre do ano, esperando-se que mantenha a mesma tendência até ao final do ano.

   

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