Crime

Falso médico detido em Lousada


 

Lusa/AOonline   Nacional   31 de Out de 2008, 17:22

O falso médico detido pela Polícia Judiciária do Porto exercia a especialidade de neuropsicologia clínica e atendia pacientes num consultório em Lousada, grande parte dos quais eram crianças.
Júlio C., 42 anos, foi detido pelo exercício de medicina sem habilitações para o efeito, tendo sido apreendido no seu consultório um elevado número de comprimidos de um medicamento (Rubifen) com uma substância (metilfenidato) que consta da tabela legal de substâncias estupefacientes.

    O medicamento está indicado para “tratar problemas de hiperactividade e défice de atenção” e “tem uma substância activa perigosa já que os efeitos secundários podem ser graves se a administração não for controlada”, explicou Rui Nunes, coordenador de investigação criminal da PJ do Porto.

    A bula do medicamento em castelhano indica que “os medicamentos vieram de Espanha e talvez os fornecessem directamente ao ‘médico’”, referiu.

    A posse e a comercialização de metilfenidato são permitidas apenas a médicos e farmacêuticos, pelo que o falso médico incorre no crime de tráfico de estupefacientes cuja moldura penal pode ir de quatro a doze anos.

    Júlio C. está também acusado de usurpação de funções e falsificação de documentos.

    No consultório do falso médico, designado ‘Psicomed’, a PJ apreendeu ainda uma grande quantidade de receitas médicas, atestados, vinhetas de vários médicos utilizadas pelo detido nas receitas que passava, para além de literatura da especialidade e diplomas de cursos de pós-graduação clínica, um dos quais pertencentes à Universidade do Porto.

    Segundo a PJ, o falso médico “chegou a ser conferencista em encontros médicos”, apresentando, no consultório, os respectivos certificados.

    A denúncia da actividade ilícita foi feita por um paciente que “suspeitava que a pessoa pudesse não ter habilitações necessárias para a prática de medicina”, destacou o investigador.

    Até ao momento, a PJ não teve qualquer informação “de risco de vida ou prejuízo directo” para os pacientes, salientou Rui Nunes.

    “Temos noção do risco abstracto que as pessoas estavam a correr”, até porque “havia crianças a ser tratadas (pelo suposto médico) por distúrbios”, frisou o investigador.

    Em termos de habilitações, Júlio C. frequentou apenas o curso de sociologia, não sendo titular de licenciatura em medicina ou de qualquer outro curso superior.

    Toda a situação foi possível porque o falso médico “tinha boa credibilidade, uma boa carteira de clientes e até certificados de pós-graduações”, sustentou Rui Nunes.

    Júlio C. encontra-se a ser interrogado no Tribunal de Lousada, desconhecendo-se, até ao momento, as medidas de coacção.

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