A exposição “FAMÍLIA - retratos de famílias LGBT em Portugal” está patente na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada até ao início de agosto. Quem a visita encontra um conjunto de fotografias documentais que dão rosto a uma realidade que continua pouco representada: as famílias LGBTQIA+ portuguesas.
A iniciativa faz parte da programação do Azores Pride 2026 e quer dar espaço à reflexão sobre diversidade familiar, representatividade e pertença. Da autoria da fotógrafa Mag Rodrigues, o projeto nasceu entre 2022 e 2023 e reúne retratos de 17 famílias de vários pontos do país. Todas as imagens foram registadas na intimidade das suas casas, uma escolha que, segundo a autora, mostra não só quem são estas famílias, mas também o ambiente onde vivem e a normalidade do seu dia a dia.
“O objetivo era dar visibilidade a uma realidade que existe em grande número, mas que continua pouco representada”, explica Mag Rodrigues. Para encontrar as famílias, lançou uma open call nas redes sociais e contou ainda com a colaboração do jornal Público. A partir daí, bastou esperar que as famílias interessadas entrassem em contacto.
A fotógrafa quis fugir à fotografia de estúdio para construir um registo mais documental: “Mostrar as famílias nas suas casas reforça a ideia de que são famílias como quaisquer outras”, afirma.
E há muitas formas de construir uma família. As 17 retratadas na exposição refletem essa diversidade: “Ou seja, além das figuras adultas serem todas da comunidade LGBT, a forma como estas crianças chegaram ao mundo também foi de formas diferentes”, explica, e acrescenta “além da adoção, temos também a gestação de substituição e a procriação medicamente assistida”.
Mag Rodrigues sublinha que “já há muitas famílias, no caso de famílias em que são duas mulheres, ou até uma mulher solteira, que recorrem à procriação medicamente assistida. É cada vez mais comum”.
E também há as famílias reconstituídas, em que um ou uma dos progenitores ou progenitoras iniciou, posteriormente, uma relação com uma pessoa do mesmo sexo.
Para Mag Rodrigues, esta diversidade ajuda a desconstruir ideias preconcebidas sobre a forma como estas famílias se constituem. Afinal, nem todas chegam à parentalidade e maternidade através da adoção, como ainda é comum pensar.
Embora o projeto não inclua famílias dos Açores, por motivos de incompatibilidade de agenda durante o período em que foi produzido, a fotógrafa mantém uma ligação próxima ao arquipélago, sobretudo à ilha de São Miguel, onde já fez outros trabalhos documentais.
Na Biblioteca Pública e Arquivo Regional estão expostas cerca de seis fotografias, uma seleção feita pela comissão do Azores Pride e condicionada pelos custos elevados de impressão das imagens, apesar de o projeto completo reunir retratos de 17 famílias.
A iniciativa vai culminar com uma conversa aberta ao
público, prevista para o início de agosto, no mesmo espaço, com a
presença da própria Mag Rodrigues. O encontro quer prolongar a reflexão
suscitada pelas fotografias e promover o diálogo sobre a diversidade e
representação das estruturas familiares.
