O eurodeputado Paulo Nascimento Cabral (PSD) e que integra a delegação do PE à Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, que arranca segunda-feira em Nice (sul de França), destacou, em declarações à Lusa “o forte reconhecimento das Regiões Ultraperiféricas, como os Açores e a Madeira” na abordagem de “um único oceano” numa dimensão global e geoestratégica que vai das pescas, ao ambiente, à energia e transportes, entre outros setores.
O eurodeputado açoriano destacou ainda que o documento da Comissão Europeia validou a criação de um Observatório Europeu do Mar Profundo, nos Açores, proposta pelo PSD e aprovada na Comissão das Pescas do PE, de que é membro.
Também o deputado europeu oriundo dos Açores André Rodrigues (PS) defende que “Portugal, bem como os Açores e a Madeira, podem e devem afirmar-se com ambição” em vários domínios identificados pelo executivo comunitário, como uma visão estratégia para as pescas, o reforço da segurança e defesa marítimas e o compromisso em capacitar as comunidades costeiras, as ilhas e as regiões ultraperiféricas, através de uma estratégia revista para as RUP e a revisão das orientações para o equilíbrio da frota de pesca artesanal.
"O Pacto acerta ao conjugar a urgência na proteção e recuperação dos Oceanos com a valorização do papel fundamental dos pescadores, da ciência, da pesca e das novas atividades económicas ligadas ao mar", afirmou André Rodrigues, à Lusa.
O eurodeputado socialista manifesta, contudo, preocupação com as verbas para a proposta: sem financiamento adequado, o Pacto corre o risco de ficar por cumprir e há também muito trabalho pela frente até a apresentação das propostas legislativas concretas pela Comissão, que se iniciará apenas em 2027. Este é apenas o primeiro passo. Agora é preciso transformar palavras em ação”.
A eurodeputada Ana Vasconcelos (IL) também integra a delegação à terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos (UNOC3).
A Comissão Europeia adotou na quinta-feira o Pacto Europeu para os Oceanos, que será formalmente apresentado em Nice, na segunda-feira.
O texto reúne leis e práticas, fornecendo um quadro de referência para a proteção do oceano e inclui a intenção de ser apresentada, até 2027, uma Lei para os Oceanos.
A proteção e recuperação dos habitats costeiros e marítimos, o apoio à indústria marítima e medidas específicas para as RUP são parte do pacto nomeadamente pelo seu potencial para combinar atividades tradicionais sustentáveis com indústrias marítimas inovadoras.
Eurodeputados açorianos defendem que Pacto Europeu para os Oceanos é uma oportunidade
O Pacto Europeu para os Oceanos é uma oportunidade para a valorização do setor das pescas, nomeadamente nas regiões ultraperiféricas (RUP), concordam dois eurodeputados de origem açoriana que integram a Comissão das Pescas, no Parlamento Europeu (PE).
Autor: Lusa
