EUA sem orçamento vão enfrentar a batalha da dívida

EUA sem orçamento vão enfrentar a batalha da dívida

 

Lusa / AO online   Economia   5 de Out de 2013, 12:57

A dívida nacional dos Estados Unidos será nas próximas duas semanas a arma mais explosiva no conflito político que mantém sem orçamento a primeira potência mundial desde há cinco dias.

 

Mas se o resultado da batalha em torno do financiamento do Governo federal parece incerto, o iminente confronto em torno da dívida pública anuncia-se ainda mais complicado.

Segundo o Departamento do Tesouro norte-americano, ao meio-dia de sexta-feira a dívida nacional totalizava 16,747 biliões de dólares (cerca de 12,4 biliões de euros), acima do máximo autorizado pelo Congresso de 16.699 biliões de dólares.

Na realidade, a dívida já ultrapassou a barreira autorizada a 17 de maio e desde então o Departamento do Tesouro tem coberto os compromissos através de manobras contabilísticas, atrasos nos pagamentos e transferências de fundos fiduciários que se esgotaram no próximo dia 17 de outubro.

Esta não é a primeira vez que isto acontece: o Congresso já autorizou dezenas de vezes um aumento da dívida nas últimas décadas, mas desta vez as finanças nacionais tornaram-se parte de um confronto político ainda mais agudo.

E, segundo o colunista Tom Friedman, do jornal The New York Times, "ameaça" mesmo "a própria democracia".

O presidente Barack Obama, o secretário de Estado do Tesouro, Jack Lew, mas também empresários, banqueiros, sindicalistas e académicos têm alertado para a crescente urgência de um entendimento perante a gravidade de uma cessação de pagamentos (‘default’) da maior economia do mundo, que detém a moeda de referência mundial.

O líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, assegurou aos seus correligionários que está disposto a tomar as medidas necessárias para que o país não suspenda os pagamentos a 17 de outubro, mas não disse como o irá conseguir.

Em 2011, a maioria republicana opôs-se ao aumento da dívida autorizada até que negociou com a administração Obama um pacto que instituiu cortes em todos os gastos federais, que entrou em vigor a 01 de março deste ano.

Em julho desse ano, só ao último minuto foi conseguido o acordo entre democratas e republicanos que permitiu aumentar o teto da dívida e evitar a falha dos pagamentos, o que levou mesmo as agências de ‘rating’ a porem em causa a nota da dívida dos Estados Unidos.

No entanto, desta vez, uma minoria dentro da maioria republicana da Câmara baixa, cerca de 49 congressistas que se identificam com o movimento conservador Tea Party, têm usado o debate sobre o orçamento e o limite da dívida para pôr em causa a reforma da saúde que Obama promulgou em 2010 (conheceida por 'Obamacare'), o que torna impossível o compromisso, segundo todos os observadores.

"Isto não tem precedentes ", escreveu Tom Friedman. "A lei de reforma da saúde foi discutida, o Congresso aprovou, o presidente assinou a lei, o Supremo Tribunal validou a sua constitucionalidade e os cidadãos voltaram a reeleger Obama (…) Na nossa democracia, uma vez que o processo é concluído o assunto está resolvido", acrescentou.

Segundo o colunista do The New York Times, o que está a acontecer é que uma minoria está a tomar como refém um assunto que não está nem relacionado com o orçamento nem com a dívida e que ameaça não resolver estes temas se não for liquidada uma lei que eles não gostam.

O Departamento do Tesouro alertou na quarta-feira que um 'default' dos Estados Unidos terá "efeitos catastróficos", o que poderia levar a uma crise económica "igual ou pior" à que eclodiu em 2008.

O incumprimento do pagamento da dívida "seria sem precedentes" e pode ter consequências, tais como o congelamento do fluxo de crédito, a queda a pique do valor do dólar e a subida das taxas de juros.

Os ativistas do Tea Party não negam as possíveis consequências de um cessamento dos pagamentos, embora acreditem que não vai acontecer. Eles apoiam-se no argumento de que durante demasiado tempo os Estados Unidos acumularam dívida orçamental financiada que ameaça a soberania nacional.

China e Japão são os dois maiores credores estrangeiros dos Estados Unidos, seguidos por "centros bancários do Caribe", exportadores de petróleo, Brasil, Suíça, Bélgica, Reino Unido, Luxemburgo e Rússia.


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