Segurança

ETA poderá tentar criar célula em Portugal


 

Lusa/AO Online   Nacional   16 de Jan de 2010, 07:22

O especialista em assuntos do terrorismo José Manuel Anes acredita que a ETA poderá tentar criar uma célula em Portugal, porque tem "a vida cada vez mais difícil" em França e Espanha.

"Até agora não há certeza de nenhuma base, mas é uma possibilidade que deve ser encarada com alguma seriedade por todos estes serviços. A ETA tem a vida cada vez mais difícil em França e Espanha", disse José Manuel Anes, em entrevista à agência Lusa, a propósito da sua candidatura à presidência do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT).

O especialista admitiu "a hipótese de a ETA estar a montar algum tipo de estrutura" em Portugal, sublinhando que tal "não deve ser colocado de lado e visto muito atentamente".

Para José Manuel Anes, a base "ainda não deve estar montada", mas a ETA tem esse "desejo" e "está a tentar", uma vez que precisa dessa estrutura.

"Ainda não deve estar montada, tudo indica, estou de acordo com a avaliação portuguesa. Os espanhóis têm sido um pouquinho afirmativos de mais", sustentou.

Relembrou casos do passado, como há 20 anos, quando foi encontrada uma casa abrigo, no Norte do país, do Exército do Povo Galego, organização considerada terrorista que hoje está praticamente desarticulada, em que havia uma portuguesa e galegos envolvidos.

"Ainda não há (uma célula da ETA), mas a possibilidade é cada vez mais forte, o que exige da nossa parte uma investigação", disse, acrescentando que "sempre é possível existirem portugueses envolvidos".

"É evidente que o turismo entre Portugal e Espanha é muito forte, no meio do turismo há estudantes, membros anti-globalização e é natural que falem uns com os outros e que, em alguns sectores, cresçam movimentos de simpatia por essa luta armada. É uma situação minoritária no seio da ETA, mas não se pode excluir uma outra situação de apoio pontual", sustentou.

Sobre as detenções dos alegados "etarras" Garikoitz García Arrieta e Iratxe Yánez Ortiz, em Torre de Moncorvo, Portugal, no fim-de-semana passado, José Manuel Anes adiantou que há duas hipóteses: "As raias são boas para eles se movimentaram. Imaginemos que eles queriam ir para o sul de Espanha, podem entrar por Portugal, descer pela raia e entrar no sul. Há também sempre a hipótese de estarem a montar algum tipo estrutura".

O ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, afirmou quinta-feira que a ETA - organização considerada terrorista que defende a independência do País Basco - estava a preparar a criação de uma base logística alternativa em Portugal, o que prova, em sua opinião, que a organização não está disposta a abandonar a violência.

"Foi esclarecedor porque descobrimos que [a ETA] estava a preparar uma base logística alternativa à que tem em França, onde são cada vez mais perseguidos", afirmou o governante, em entrevista à estação de televisão Cuatro, citado pelo jornal El País.

No início da semana, o ministro da Justiça português, Alberto Martins, garantiu que Portugal "não tem qualquer informação ou suspeita" da existência de bases em território português.

"Naturalmente que as autoridades judiciárias e policiais em Portugal estão empenhadas em erradicar uma situação desse tipo, mas neste momento não há qualquer informação ou indício de que isso aconteça", disse Alberto Martins.


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