Trabalho

Enfermeiros protestam contra precaridade de trabalho

Enfermeiros protestam  contra precaridade de trabalho

 

Lusa/AO online   Nacional   18 de Nov de 2008, 10:47

Cerca de quatro dezenas de enfermeiros à procura de primeiro emprego protestaram esta terça-feira, em frente ao Hospital São João, no Porto, contra a precariedade dos contratos de trabalhos dos profissionais de saúde e criticaram as medidas "economicistas" do Governo.
"Não entendemos que apesar de existir carência de enfermeiros, em quase todos os serviços, o Ministério da Saúde e o Governo estejam obcecados pela politica economicista que tornam quase nulas as admissões", disse à Lusa Fátima Monteiro, responsável pela direcção do Porto do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

    Na concentração, os enfermeiros criticaram o que designaram como "Sopa dos Desempregados" que "tem como cozinheiro" José Sócrates.

    Fátima Monteiro chamou atenção para a existência de horas de trabalho extraordinário, feitas pelos enfermeiros, em vez de contratos efectivos.

    "É inadmissível que se opte por pagar horas de trabalho extraordinário em vez de fazerem contratos", afirmou a sindicalista.

    Deu como exemplo o facto de “9800 horas pagas em trabalho extraordinário permitirem a contratação de 70 enfermeiros".

    A sindicalista chamou ainda a atenção para as consequências do trabalho precário que prejudica o Serviço Nacional de Saúde.

    "A escassez de enfermeiros faz com que exista um aumento do ritmo de trabalho o que põe em causa não só a qualidade do serviço como também a própria segurança dos doentes".

    Actualmente, revelou a sindicalista, existem cinco mil enfermeiros com contratos a prazo sendo que a região Norte é a zona mais afectado pelo desemprego dos profissionais de saúde.

    "Andamos quatro anos a batalhar pelo curso e no final batemos a todas as portas e a justificação que nos dão é que por motivos económicos não estão a ser admitidos enfermeiros", desabafou Paulo Braga, licenciado em enfermagem desde de Junho.

    Espanha é para muitos enfermeiros a porta que se abre quando em Portugal todas se fecham.

    "Já tratei de tudo no consulado espanhol e no início de Janeiro vou para Espanha. É triste ter que deixar o país mas é a única hipótese", revelou Paulo Braga.

    O jovem enfermeiro sustentou que em Portugal “existem propostas indecentes em que pagam dois euros à hora sem salário base”.

    “Ou então recebemos à comissão, sendo que por cada tratamento recebemos 10 por cento", acrescentou.

    Daniela Costa, outra jovem que terminou o curso em Julho, ainda não conseguiu o primeiro emprego que tanto procura.

    "Estou revoltada porque batalhei tanto para agora concorrer a tudo e não obter nenhuma resposta", disse.

    O Hospital São João no Porto foi o local escolhido para a concentração, disse a sindicalista, por empregar 25 por cento dos enfermeiros do Porto.

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