Encerramento de hotéis no Algarve em época baixa é cada vez maior

Encerramento de hotéis no Algarve em época baixa é cada vez maior

 

Lusa / AO online   Economia   29 de Dez de 2013, 11:41

O encerramento de unidades hoteleiras em época baixa é "cada vez maior" no Algarve e as medidas adotadas pelo Governo para combater a sazonalidade têm ficado aquém do ambicionado para empresários e sindicatos, disseram fontes do setor do turismo.

 

O presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, disse à agência Lusa que o encerramento de unidades durante o inverno “é uma tendência que se tem vindo a verificar de uma forma cada vez mais acentuada nos últimos anos” e “também este ano”.

Elidérico Viegas constatou que “não há mais unidades abertas do que em anos anteriores, antes pelo contrário”, e considerou que a região e os agentes do setor não têm “sido capazes até hoje de esbater a maior fragilidade e fraqueza do turismo do Algarve, que é a sazonalidade”.

O dirigente da AHETA fez uma avaliação positiva de medidas anunciadas pelo Governo para combater a sazonalidade e evitar o aumento da taxa de desemprego em época baixa, como a medida Formação Algarve, que visa incentivar a formação aos funcionários durante esse período de menor atividade para as empresas, mas foi crítico da sua execução.

“A ideia é positiva, [mas] a medida fica aquém do que é desejável. E daí que as expectativas em torno da medida não se tenham concretizado, nem no ano passado, nem se vão confirmar este ano”, afirmou, frisando que o Estado “dá com uma mão e tira com a outra” quando “subsidia a formação em época baixa, mas obriga as empresas a pagar impostos sobre os próprios subsídios que atribui”.

Tiago Jacinto, do Sindicato da Hotelaria do Algarve, também disse à Lusa que “no terreno há mais unidades encerradas de ano para ano” e “nesta altura do ano há uma série de unidades hoteleiras que estão encerradas”.

O dirigente sindical e o presidente da AHETA disseram desconhecer a existência de dados sobre unidades encerradas por falta de números oficiais e Tiago Jacinto referiu que as tentativas de levantamento são dificultadas “porque há unidades que encerram numa altura e outras noutra”.

Tiago Jacinto observou que durante os períodos de encerramento há unidades em que “os trabalhadores vão de férias compulsivamente”, enquanto noutros casos são “feitos contratos precários” e “acordos [de rescisão] com funcionários mais antigos”.

António Goulart, da União de Sindicatos do Algarve, reafirmou que “é recorrente o encerramento” de hotéis no inverno “há meia dúzia de anos” e considerou que as medidas que o Governo tem tomado sobre combate à sazonalidade, como o programa Formação Algarve, “não têm tido qualquer efeito”.

“Olho para esta medida como mais uma daquelas medidas desgarradas que se anunciam e se sabe logo que muito poucos ou nenhuns efeitos vai ter, porque toda a estrutura da medida em si está errada”, afirmou António Goulart, argumentando que é “isolada” e tem um “volume financeiro disponível curto”.

“As condições não são boas e sabia-se à partida que a medida não iria produzir efeitos palpáveis”, disse.


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