Empresários e setores produtivos contra aumento do acréscimo regional ao salário mínimo nos Açores

Os representantes de associações empresariais e de produtores agrícolas e armadores de pesca dos Açores manifestaram a sua oposição a um eventual aumento do acréscimo regional ao salário mínimo, alegando elevados custos de produção



“As empresas gostariam de pagar bons ordenados, porque fidelizam os seus colaboradores, premeiam aqueles que efetivamente são melhores, que garantem mais produtividade, mas a verdade é que estamos a passar um momento crítico”, justificou Francisco José Rosa, presidente da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA), durante uma audição parlamentar na comissão de Economia da Assembleia Legislativa Regional, reunida em Ponta Delgada.

O representante da associação empresarial açoriana foi ouvido pelos deputados a propósito de uma petição, entregue no parlamento regional, subscrita por 3.898 pessoas e que defende um aumento de 5 para 10% no acréscimo regional ao salário mínimo nacional.

“Do ponto de vista social, o aumento do salário mínimo nos Açores atua diretamente nas fragilidades estruturais da região, nomeadamente em relação ao custo de vida, à insularidade e à ultraperiferia, que encarecem o cabaz de compra essencial, a energia e os transportes”, explicou Vítor Silva, dirigente sindical e primeiro subscritor da petição, também ouvido hoje em comissão.

Segundo Vítor Silva, além do impacto social da medida, o aumento do salário mínimo na região traria também vantagens ao nível económico, uma vez que os trabalhadores que auferem o salário mínimo “tendem a injetar a totalidade do seu rendimento na economia local, no comércio tradicional, nos serviços e na restauração”.

Contudo, o representante associação empresarial açoriana contrapôs que as empresas estão a atravessar dificuldades, não apenas devido ao aumento dos combustíveis, mas também dos elevados custos com licenciamentos e certificações, que “oneram substancialmente” o tecido empresarial da região, em valores “muito superiores à sua escala e à sua dimensão”.

Também a Federação Agrícola dos Açores (FAA) manifestou-se contra o aumento do salário mínimo regional, justificando que o setor não suporta mais aumentos dos custos de produção.

“Isso irá ter um efeito dominó porque arrasta praticamente todo o tipo de trabalho que nós temos, começando pelos que estão no salário mínimo”, disse o presidente da direção da FAA, Jorge Rita, adiantando que a federação “não concorda com este aumento pelas implicações que pode ter no setor agrícola e no próprio orçamento regional”.

Já o presidente da Federação de Pescas dos Açores (FPA), Jorge Gonçalves, também ouvido pelos deputados, disse igualmente discordar de um aumento de 5 para 10% no acréscimo regional ao salário mínimo no arquipélago, lembrando que o setor já está a atravessar sérias dificuldades, devido ao aumento do preço dos combustíveis.

“Era importante que se pudesse atribuir mais dinheiro aos trabalhadores, mas a conjuntura neste momento não permite ao setor da pesca fazer face a um aumento desta dimensão”, justificou Jorge Gonçalves, lembrando que os pescadores e armadores da região foram os únicos que não receberam “nenhum cêntimo” de apoio devido ao aumento do preço dos combustíveis.

Na petição é recordado que no arquipélago da Madeira o acréscimo regional ao salário mínimo já é superior ao que se pratica nos Açores, existindo “uma diferença de 31,50 euros” entre o salário mínimo que será praticado na Madeira e o salário mínimo que será praticado nos Açores a partir de 01 de janeiro de 2027.

Nos Açores, o salário mínimo regional está fixado atualmente em 966,00 euros, valor que resulta de um acréscimo de 5% sobre o salário mínimo nacional (920,00), de acordo com legislação aprovada no parlamento açoriano.

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