A escultura “Homenagem aos Produtores de Leite”, da artista Cristina Ataíde, foi inaugurada no Parque Urbano de Ponta Delgada, no âmbito das comemorações dos 10 anos do Programa Leite de Vacas Felizes.
Ao Açoriano Oriental, Eduardo Vasconcelos, diretor de Compras da Bel Portugal e responsável pelo Programa Leite de Vacas Felizes nos Açores, revelou que esta escultura presta homenagem aos produtores que têm feito parte deste percurso, reconhecendo o seu trabalho, dedicação e contributo para uma produção leiteira ligada ao território, ao bem-estar animal e à sustentabilidade.
“Inauguramos esta obra de arte pública, que celebra os 10 anos do Programa Leite de Vacas Felizes e, acima de tudo, presta homenagem a quem tornou este caminho possível: os nossos produtores de leite”, afirmou na cerimónia, que decorreu ontem, acrescentando: “Hoje não celebramos apenas um programa; celebramos pessoas, celebramos visão, celebramos coragem e celebramos o trabalho diário".
O responsável da Bel Portugal realçou ainda que, integrado no programa Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026 (PDL26), o projeto transforma esta homenagem num legado permanente no espaço público.
“Ao assinalar os 10 anos deste caminho, quisemos que esta celebração não ficasse apenas numa data, numa cerimónia, numa memória. Quisemos deixar algo no território, algo que permanecesse e que pudesse ser visto, vivido e recordado por quem passa hoje e por quem passará nos próximos anos”, explicou.
Ainda na sua intervenção, Eduardo Vasconcelos destacou a importância da inovação.
“No momento em que enfrentamos desafios económicos, ambientais, sociais e geracionais, precisamos de continuar a criar condições para que o leite dos Açores tenha futuro (...) e precisamos de continuar a acreditar que diferenciar, inovar e cooperar vale a pena”, afirmou.
Sobre a obra, Cristina Ataíde revelou que procurou “estabelecer uma ligação forte com a natureza, com o território e, sobretudo, deixar uma marca visível que lembre os produtores de leite açorianos”.
“Eu não queria um leite contido por um suporte, um leite fechado num contentor; teria de ser um leite livre, que escorresse e se espalhasse livremente pelo prado verde, como as vacas que produzem e que pastam desafogadamente nos prados suculentos das encostas açorianas”, explicou.
A artista acrescentou que, a partir da representação fluida do leite, se erguem dois elementos verticais em aço inoxidável, que sobressaem no espaço.
“Estes dois aros enlaçados em aço inoxidável evocam o cincho, elemento ancestral utilizado na prensa da coalhada, fazendo sair o soro e formar o queijo como produto final”, concluiu.
Por sua vez, o secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, destacou que este monumento ao produtor de leite simboliza o reconhecimento oficial da agricultura como pilar central da identidade e da economia açorianas. Enfatizou ainda que o setor leiteiro é o principal motor de exportação e de sustentabilidade ambiental da Região, moldando a paisagem que atrai o turismo.
António Ventura deixou ainda um apelo “ao patriotismo” dos consumidores locais, incentivando-os a escolher produtos regionais, mesmo que apresentem um custo superior.
Para o presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, esta escultura homenageia a herança agrícola e a resiliência dos produtores de leite açorianos.
“Cultura não é só o que se passa nos palcos, nos teatros, nos livros ou nos museus. Cultura é também sabermos honrar as nossas tradições”, afirmou.
Katia Guerreiro, comissária da PDL26, sublinhou que este projeto simboliza a ligação umbilical entre a arte, a paisagem natural e a economia local.
“Esta obra de Cristina Ataíde estabelece um diálogo umbilical com a envolvente da ilha. (...) Ao olhar para ela, vemos refletir a luz dos Açores, a força do nosso clima e a imponência da nossa natureza. A arte serve aqui como um espelho que nos liga de forma visceral ao território que habitamos”, declarou.
