Empresariado português confiante no mercado moçambicano apesar de instabilidade

Empresariado português confiante no mercado moçambicano apesar de instabilidade

 

Lusa / AO online   Economia   23 de Nov de 2013, 12:10

Associações empresariais portuguesas manifestam confiança para investirem em Moçambique, apesar do atual conflito político-militar e dos recentes casos de raptos que atingiram também a comunidade portuguesa na capital do país, Maputo.

 

Em declarações à Lusa, a presidente da Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF), Cristina Pedra, assegurou que ainda “existe confiança” dos empresários daquela região de Portugal para investirem em Moçambique, até porque há uma missão empresarial que tem agendada uma viagem para o país no próximo ano.

Em novembro, a ACIF decidiu cancelar uma missão empresarial a Moçambique devido ao clima de instabilidade nas zonas centro e norte do país, mas “atualmente a confiança existe”, disse Cristina Pedra.

Moçambique enfrenta a sua pior crise política e militar desde a assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992, devido a confrontos entre o exército e homens armados da Renamo.

Em nota enviada à Lusa, a Associação Empresarial de Portugal (AEP) anunciou que levará a acabo uma missão empresarial às cidades de Maputo, Beira, em Moçambique, e à capital do Zimbabué, Harare, entre os dias 23 de janeiro de e 2 de fevereiro.

“As boas relações e a empatia entre os nossos dois povos permitem prever que as relações vão continuar a ser aprofundadas, não só do ponto de vista económico, mas também cultural, tecnológico, entre outras áreas de interesse mútuo”, refere o comunicado sobre a missão empresarial denominada “Projeto Business On The Way”.

A AEP descreve a “performance assinalável” da economia moçambicana, registada nas últimas décadas, e o ambiente macroeconómico “bastante estável do Zimbabué, caracterizado por uma taxa de inflação baixa e estabilizada, prevista para variar entre quatro e seis por cento até 2015”.

A nota da AEP lembra que Zimbabué é um “país que tem, realmente, um dos mais baixos índices de inflação da parte sul da África, graças à introdução das diversas moedas em 2009”.

Moçambique deverá entrar agora numa nova fase, após a realização das eleições municipais da quarta-feira, e, nos últimos dias, nota-se uma redução dos casos de raptos, de acordo com as autoridades locais.

Em entrevista à Lusa, o investigador português do Instituto Marquês de Valle Flor, Fernando Jorge Cardoso, considerou que a economia de Moçambique ainda “está num processo em que claramente sofre os efeitos dos conflitos violentos que estão a ocorrer no centro e norte, e da questão (do desentendimento) político entre a Renamo e a Frelimo”.

“Se há um desacordo político, nos próximos tempos, isso vai claramente prejudicar os investimentos internacionais em Moçambique e possível vinda dos investimentos e crescimento de um mercado interno, que implica também investimentos em outras atividades além de extração de minérios”, afirmou Fernando Jorge Cardoso.


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