Sociedade

Educação sexual na escola "não se pode resumir a sexo e contraceptivos"

Educação sexual na escola "não se pode resumir a sexo e contraceptivos"

 

Lusa/AO online   Nacional   7 de Nov de 2009, 18:00

 O Congresso sobre "Sexualidade e educação para a felicidade" que hoje encerra em Braga concluiu que a disciplina de educação sexual nas escolas "não se pode resumir a meras conversas sobre sexo e métodos contraceptivos".

Os participantes no II Congresso Internacional de Pedagogia, promovido pela Faculdade de Filosofia (FacFil) da Universidade Católica Portuguesa, defendem que "a educação para a sexualidade deve ser uma temática transversal a diversas disciplinas".  O psicólogo clínico Eduardo Sá, professor de psicologia clínica na Universidade de Coimbra e no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa que abordou a temática de "Uma ética para o futuro", defendeu que "uma relação ética só se faz quando se coloca tudo o que sentimos à discussão e quando, por ensaio e erro, conseguimos dizer "eu" e "tu" ao mesmo tempo". "Acho fundamental que se discuta a sexualidade nas escolas. No entanto, vivo com preocupação quando às vezes se tem a ideia de que falar de sexualidade é falar do aparelho reprodutor e dos meios contraceptivos", sustentou. Considerou importante falar de sexo e dos contraceptivos, mas não com uma visão restritiva e básica: "os adolescentes deviam ter direito à insubordinação para que, finalmente nas escolas - um lugar que acho indispensável para este tipo de conversa -, se possa falar do que é fundamental às relações humanas", afirmou.  Em sua opinião, "a sexualidade tem esta grande particularidade nas relações humanas: é o que nos permite despirmo-nos por dentro; e, se continuarmos a viver as relações amorosas com o coração abotoado até ao último botão, seguramente não podemos viver a sexualidade de uma maneira saudável". Para Eduardo Sá falar de sexualidade não é banalizar o sexo: "Quanto mais as pessoas banalizarem o sexo, inequivocamente mais atentam contra as relações amorosas e contra a própria sexualidade", defendeu. "Criou-se uma banalização inquietante do sexo. Por vezes acho graça a algumas telenovelas em que se fala de sexo como se fosse uma coisa perfeitamente irrisória. Isso é uma atitude profundamente insensata quando se quer tomar em consideração as relações amorosas e a sexualidade como aquilo que nos faz crescer e virar do avesso", disse. O especialista firmou-se "receoso" de que os professores estejam a ser deixados sozinhos": "Há uma comissão que fez um trabalho muito importante em Portugal mas é também importante que os professores tenham uma formação adequada", acrescentou.  Para lidar com a temática da sexualidade, Eduardo Sá considera que "nem todos os professores têm o perfil para o fazer", salientando que, "aqueles professores que visivelmente são referência para os adolescentes são, porventura, aqueles que podem falar com eles de tudo - sexualidade incluída - e serem atendidos".  "Esses professores devem ser acarinhados e muito bem formados", recomendou em conclusão.


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