“É muito giro ver a minha letra a dar vida a uma história muito bonita e real”

Sofia Silva. Dividida entre a música e o estudo da Criminologia, a artista vive um momento marcante com a canção “Fases”, escrita por si e interpretada com o projeto Sofia Silva & Code, a integrar a banda sonora da telenovela “Amor à Prova” da TVI




Aos 19 anos, Sofia Silva viu o tema “Fases”, do projeto Sofia Silva & Code, integrar a banda sonora de uma telenovela da TVI - um reconhecimento nacional que consolida o seu percurso artístico e reforça a ambição de levar a sua música além dos Açores.

Desde muito cedo, o quotidiano de Sofia Silva foi marcado por sons e palcos improvisados. Recorda-se de tocar bateria quando ainda era “muito pequenina” e de organizar pequenos concertos em jantares de família, momentos que guarda como algumas das memórias mais marcantes da infância. A música, garante, não foi uma escolha consciente, mas algo que simplesmente “nasceu” com ela.

“Não houve um momento em que tenha descoberto que gostava de música, porque sempre foi algo muito natural e presente em todas as fases da minha vida”, conta.

Na escola, as aulas de música começaram logo na infância - provavelmente no pré-escolar - e mantiveram-se, ao longo de todo o percurso escolar, como a sua disciplina favorita.
Paralelamente à ligação à música, Sofia Silva foi definindo desde cedo um percurso académico muito claro.

“Desde pequenina que via os programas do CSI, o que despertou o meu interesse pela investigação criminal, pelo estudo do crime e, em particular, por temas como o tráfico de droga e de pessoas”, explica. Por volta do 7.º ou 8.º ano, já tinha a ideia “muito fixa” de que queria estudar Criminologia. Trabalhou com esse objetivo ao longo do ensino secundário, concluído na Ribeira Grande, até alcançar a média necessária para ingressar na licenciatura. 

Atualmente, frequenta o segundo ano de Criminologia na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, uma cidade que descreve como intensa e cheia de movimento, mas à qual se adaptou bem, graças ao ambiente acolhedor e à experiência de viver sozinha e gerir o dia a dia de forma autónoma.

A visibilidade nacional chegou através dos programas de talentos. Em 2021, com apenas 15 anos, inscreveu-se de forma “impulsiva” no “Ídolos”, “só para ver no que dava”, e acabou por conquistar o cartão dourado. No entanto, foi em 2023, com a participação no “The Voice Portugal”, que viveu a experiência mais transformadora da sua carreira até ao momento: pisou pela primeira vez um grande palco, em televisão nacional, com público em estúdio, passou por várias fases do programa e chegou às galas, integrando o grupo dos 16 finalistas.

A artista admite que foi preciso “muita coragem” para enfrentar as câmaras e a pressão do direto, mas considera a participação decisiva. “Conheci pessoas que já tinham muita experiência, desde os outros concorrentes aos mentores. Foi um desafio”, recorda.

Foi também o primeiro contacto com o lado invisível do espetáculo: as equipas de ‘styling’, maquilhagem e caracterização. “Com o ‘The Voice’ aprendi a deixar a vergonha de lado, a subir ao palco com mais confiança e a desenvolver técnicas com os ‘vocal coaches’. Foram aprendizagens muito importantes”, sublinha.

Após a participação no programa, Sofia Silva regressou a São Miguel, onde realizou concertos em formato duo, interpretando ‘covers’ em vários espaços da ilha. Ao mesmo tempo, manteve vivo o desejo de criar um projeto de originais e de subir a palcos maiores. Esse passo concretizou-se quando se juntou a músicos experientes, Hugo Medeiros, Félix Medeiros e Amadeu Medeiros dando origem ao projeto ‘Sofia Silva & Code’.

Apesar de viver no Porto e os restantes elementos estarem nos Açores, a banda funciona com uma comunicação constante à distância, partilhando maquetes, letras e ideias, e aproveitando ao máximo os períodos em que Sofia Silva está na ilha para ensaios intensivos. O primeiro grande teste aconteceu em junho do ano passado, na Festa do Chicharro, onde subiu ao palco com o grupo pela primeira vez, uma estreia que descreve como decisiva para a sua confiança.

“O projeto está a dar muito certo, porque somos todos muito compatíveis. Está a ser surreal”, afirma.

No projeto, as letras são todas da autoria de Sofia Silva, enquanto a composição musical é um trabalho partilhado, com forte contributo de Félix Medeiros na guitarra e na produção.

Mais recentemente, o tema “Fases”, com letra escrita pela artista, foi integrado na banda sonora da telenovela “Amor à Prova”, da TVI, através da distribuidora Farol Música, ligada ao grupo Media Capital. Como conta Sofia Silva, após avaliação das propostas enviadas pela distribuidora, a estação convidou o projeto a integrar a música na narrativa da novela.

“É estranho, mas muito bom”, descreve, acrescentando, emocionada: “É muito giro ver a minha letra a dar vida a uma história muito bonita e real”.

Com o impulso da presença na televisão e o crescimento do projeto de originais, os próximos meses prometem ser de grande atividade. Durante o verão, Sofia Silva prepara uma tournée pelas ilhas dos Açores, com atuações previstas no Corvo, Flores, São Jorge, Terceira, Graciosa e São Miguel, num esforço de levar o espetáculo ao maior número possível de palcos do arquipélago. 

A agenda culmina a 21 de novembro, com um concerto em nome próprio no Coliseu Micaelense, que contará com convidados especiais. Em paralelo, a banda está a aproveitar o inverno para criar e finalizar novas músicas, gravar videoclipes e preparar lançamentos.

Quanto ao futuro, Sofia Silva mantém o objetivo de concluir a licenciatura em Criminologia, mas não esconde que o “sonho de artista” passa por, um dia, viver exclusivamente da música. Reconhece, contudo, as dificuldades do mercado português e a necessidade de trabalhar arduamente e saber lidar com os altos e baixos de um setor altamente competitivo. 

Nesse sentido, conta que  “Sofia Silva & Code” encontram-se ativamente à procura de agências de ‘management’ e ‘booking’ no continente, procurando “atravessar o oceano” com as suas canções e capitalizar a exposição da telenovela como uma forma de validação do projeto e uma possível porta de entrada para novos públicos e palcos fora dos Açores.

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