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Dez presidentes perderam reeleição em momentos de crises económicas e tensões políticas

Dificuldades económicas em vários períodos históricos, desacordos políticos internos e tensões externas pesaram nas corridas e derrotas de dez presidentes para um segundo mandato na Casa Branca, nos Estados Unidos.

Dez presidentes perderam reeleição em momentos de crises económicas e tensões políticas

Autor: AO Online/ Lusa

A pressão é alta nesta fase final do primeiro mandato de Donald Trump, com a pandemia de covid-19 a provocar mais de 213 mil mortes nos Estados Unidos e a acentuar o desastre económico, agravado pelo aumento do desemprego e protestos históricos contra a violência policial e racista.

Donald Trump, infetado com a covid-19, segue confiante na sua reeleição, mas a maioria das sondagens dá uma grande vantagem ao oponente Joe Biden. Certo é que os resultados não vão ser totalmente contados na noite eleitoral de 03 de novembro, com grande parte da população a votar por correio.

Na história dos Estados Unidos da América, dez Presidentes fizeram campanhas para o segundo mandato na Casa Branca e não conseguiram a reeleição, muitas vezes por dificuldades económicas do país, tensões políticas ou conflitos com o exterior.

O primeiro vice-Presidente da história dos EUA (1793-1797) e logo a seguir, Presidente entre 1797 e 1801, John Adams perdeu quando concorreu às eleições de 1800 para tentar o seu segundo mandato.

Líder da Revolução americana para a independência e um dos “pais fundadores” da nação, John Adams presidiu o novo país quando o clima era de conflito entre nações europeias.

A tensão entre Estados Unidos e França estava no auge, prestes a iniciar-se uma guerra marítima. Os opositores do Presidente John Adams não concordaram com o envio de uma missão de paz norte-americana para França, conseguindo ditar a sua derrota na eleição seguinte.

Curiosamente, o mesmo percurso na Presidência calhou ao seu filho, John Quincy Adams.

Tendo sido Presidente dos Estados Unidos entre 1825 e 1829 e grande crítico das leis de escravatura, John Quincy Adams também perdeu a eleição para o seu segundo mandato. Esta derrota esteve ligada a razões de política interna e de polarização do partido que o apoiava, Democrata-Republicano, que acabou por se dividir.

Martin Van Buren liderou o país de 1837 a 1841. Antigo governador de Nova Iorque e vice-Presidente do país, o seu primeiro mandato como Presidente foi condicionado por uma crise económica. O seu mandato foi também influenciado por falga de consensos a nível interno relativamente à escravatura, política expansionista e tensões com a Grã-Bretanha, com uma derrota final em 1840.

Quarenta e cinco anos depois, Grover Cleveland, antigo governador de Nova Iorque, tomava posse como Presidente até 1889, mas perdeu o seu segundo mandato para Benjamin Harrison.

Mais quatro anos volvidos, em 1893, Benjamin Harrison seria derrotado pelo antecessor, Grover Cleveland.

Benjamin Harrison foi o quinto Presidente incumbente a perder a reeleição para um segundo mandato. Porém, foi a primeiro e único derrotado por um antigo Presidente, Grover Cleveland.

Nesta última década do século XIX pesava uma grande depressão económica e crise política que obrigaria a uma reestruturação do sistema político norte-americano na eleição de 1896, em grande contraste ao que tinha vigorado durante a guerra civil (conflito de 1861 a 1865).

Desta forma, Grover Cleveland foi o único político da história dos EUA a ser Presidente duas vezes, mas sem ser em mandatos consecutivos.

William Howard Taft foi Presidente de 1909 a 1913 e perdeu a reeleição. O portal oficial da Casa Branca na Internet constata que “William Howard Taft passou quatro anos desconfortáveis” na Presidência, “apanhado no meio de intensas batalhas entre progressistas e conservadores”.

Presidente na era conhecida como a Grande Depressão, de 1929 a 1933, Herbert Hoover, o “Grande Humanista” que ajudou à fuga de centenas de milhares de europeus da Primeira Guerra Mundial, não conseguiu levar os Estados Unidos à recuperação económica e perdeu o seu segundo mandato, em 1932, para Franklin Roosevelt.

Depois do escândalo “Watergate”, que provocou a desistência de Richard Nixon, a única de um Presidente dos EUA, o vice-Presidente Gerald Ford substitui-o no cargo sem uma eleição e liderou o país de 1974 a 1977.

Já quando Ford foi a eleições para continuar na Presidência, nomeado pelo partido Republicano, foi derrotado pelo adversário Jimmy Carter, dada a crise económica e recessão financeira.

Jimmy Carter, antigo governador de Georgia, teve um mandato presidencial tumultuoso, marcado pela crise diplomática dos reféns na embaixada norte-americana em Teerão, a crise petrolífera de 1979 e o agravamento da Guerra Fria com o Bloco Soviético.

Apesar de ter tido a renomeação do partido Democrata para a candidatura a Presidente, Jimmy Carter também perdeu a possibilidade do segundo mandato em 1980, contra Ronald Reagan.

O décimo e último Presidente que, até agora, perdeu o segundo termo em eleição presidencial depois de um primeiro mandato na Casa Branca foi George Herbert Walker Bush (George H.W. Bush, em distinção do filho George W. Bush), derrotado por Bill Clinton, em 1992.

George H. W. Bush foi vice-Presidente durante dois mandatos, na presidência de Ronald Reagan de 1981 a 1989 e, logo depois, Presidente dos Estados Unidos.

Antigo diretor da agência de serviços secretos CIA, George H. W. Bush contribuiu em grande parte para as negociações do fim da Guerra Fria e reunificação da Alemanha, sendo que os assuntos externos foram uma grande parte da campanha de reeleição, mas sem sucesso.

Bush perdeu a reeleição contra Bill Clinton devido ao mau momento económico que se vivia nos Estados Unidos no final do século XX e ao aumento dos impostos, que atraiu muito criticismo e oposição.

Com a tentativa de Donald Trump de chegar a um segundo mandato, é a sétima vez consecutiva que o Presidente dos EUA é renomeado para as eleições presidenciais e para liderar o país.

Trump tem sido criticado pela gestão económica do país durante a pandemia de covid-19, pela falta de transparência ou veracidade de informações e por ser frequentemente visto como apoiante de grupos violentos e de supremacistas brancos nos Estados Unidos.


 
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